hábitos

Abrindo e fechando portas

As vezes são as pequenas coisas e pequenos costumes bobos que são os mais difíceis de mudar. Você pode passar anos num local onde todo mundo faz determinada coisa do jeito A, tentar fazer as coisas do jeito A, mas acabar sem querer fazendo do jeito B toda vez.

Uma coisa desse tipo, pra mim, é abrir e fechar portas. Eu sei, eu sei, “Ué, tem jeitos diferentes de abrir e fechar portas?”, você está se perguntando.

Mais ou menos.

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Uma diferença a respeito das portas, aqui, é que quando vc fecha a porta, ela tranca sozinha. A fechadura funciona de um jeito que você só conseque abrir por dentro. Por fora precisa sempre de chave. Nem todas as portas de entrada são assim, mas a grande maioria é.

O que significa que você só usa a chave pra trancar a porta quando você está saindo e deixando a casa vazia. Se tiver alguém dentro, você só fecha desse jeito. E você nunca tranca a porta por dentro, nunca nunca. Até porque o objetivo desse sistema é segurança: você poder sair correndo de casa no caso de uma emergência ou incêndio, não precisar ficar procurando chave pra poder abrir a porta e correr pra fora. Faz todo sentido.

Mas isso resulta num costume diferente em relação a abrir e fechar portas que é: quem fecha ou abre a porta quando duas ou mais pessoas entram juntas num local.
Veja só: quando o normal é trancar a porta por dentro depois de entrar num local, ou trancar por fora com chave ao sair, normalmente a pessoa que abre a porta é a mesma que fecha. Porque se ela abriu a porta, ela está com a chave na mão. Então o normal, no Brasil (e a gente nem percebe que é assim) é a pessoa que está com a chave abrir a porta, sair, esperar fora enquanto as outras pessoas saem, e então trancar a porta depois de todo mundo. A pessoa que abriu a porta é a pessoa que fecha a porta, essa é a regra.
Só que aqui, quando você está saindo de um local, você nem precisa pegar a chave. E quando vc está entrando, você só precisa da chave na hora de abrir a porta. Logo, o normal é que quem for o último a passar pela porta é que fecha a mesma. Porque que a primeira pessoa que passou pela porta ficaria esperando pra fechar a mesma, se pra fechar é só puxar?

Isso parece uma bobeirinha, mas é um costume estranhamente enraizado nos pés. Quase sempre quando eu passo por uma porta por último eu deixo ela aberta subconscientemente achando que a pessoa que abriu é que vai fechar! E os alemães – não sabendo do por quê disso – sempre acham muito estranho quando eu faço isso. O meu namorado desde o começo brinca que eu nasci num metrô. Demorou pra eu enteder o que ele queria dizer… mas é porque no metrô as portas fecham automaticamente… rsrsrs

E embora eu saiba, conscientemente, que se for a última a passar pela porta devo fechá-la, várias vezes eu, distraída, esqueço. Essa semana mesmo isso ocorreu com colegas do escritório quando saímos pra almoçar. Eu passei e deixei a porta aberta – distraidamente – e minha colega ficou confusa achando que estávamos esperando mais alguém e por isso que eu tinha deixado a porta aberta!

Na hora fatídica de passar pela porta eu sempre me pego pensando “opa! quem que fecha a porta, mesmo? a pessoa que abriu ou a pessoa que saiu por último?”. Eu acho incrível como a gente fica tão profundamente acostumado com uma coisinha tão pequena e boba!

Mas embora eu ainda faça isso “errado” aqui, certamente quando for ao Brasil de novo vou fazer errado lá também…

É isso, então lembre-se sempre de fechar as portas pelas quais você for o último a passar pros alemães não te acharem estranho!

Nesse post aqui eu falei sobre chaves e sistemas de fechaduras usados na Alemanha. Tem uns bem high-tech.


(Publicado em 12 de Maio de 2017)

Dez costumes alemães que eu não incorporei

Esse post é continuação do post anterior, onde eu mencionei 10 costumes alemães que já incorporei no meu dia-a-dia e nem parece mais que já foi diferente. Nesse post, vou falar de 10 costumes alemães que eu ainda não incorporei (porque é difícil!) ou que acho que jamais incorporarei (pq não fazem o menor sentido!)

Vamos lá…

DEZ costumes alemães que eu total NÃO incorporei

1 – Se reunir pra mostrar foto da sua viagem pros seus amigos que não estavam lá
Vou colocar esse primeiro porque acabei de ter que agüentar outra dessas situações. Os alemães A-DO-RAM chamar os amigos pra mostrar as fotos da viagem. Eu gosto de ver foto de viagem alheia. No facebook, no flickr. Onde eu decido quanto tempo eu olho cada foto, passo rapidão se não achar graça, olho mais tempo se for interessante… Mas eventos assim, com o fulano mostrando uma por uma as fotos da viagem, e contando as coisas que aconteceram naquele dia que pra ele são muito interessantes mas pra você totalmente aleatórias eu acho insuportável!

“Ah, aqui a gente tava tirando foto dessa montanha, aí chegou um grupo de japoneses e começou a tirar foto e foi muito chato.” *muda pra próxima foto, aparecendo o amigo em questão* “Mas aí a gente aproveitou e pediu pra eles tirarem foto da gente, e aí foi bom, porque no final ficou super boa essa foto, e a fulana tava olhando pro lado, mas ficou bem engraçado, e…”

“Aqui essa árvore que aparece aqui nessa foto é a que aparece aqui nessa outra foto meio de ladinho, ó, essa daqui, tá vendo? Aí ali do lado é que era nosso hotel, e aí essa árvore dava pra ver da minha janela, então eu lembro muito bem dessa árvore, que eu achei bem bonita uma hora que parou uns pássaros coloridos em cima, só que eu não consegui fotografar os pássaros, então ficou só a árvore, mesmo.”

Ah, não, gente. Os alemães adoram isso. Acho que eles devem gostar de assistir, também, se não não mostrariam, né? Sei lá. Em algumas situações tudo bem, até faz sentido. Por exemplo os meus sogros mostrando as fotos da viagem deles pro Brasil. Aí tudo bem, eu quero ver e conversar sobre as fotos que eles tiraram no meu país, faz sentido. Mas um amigo x mostrando as fotos mal tiradas da viagem aleatória que ele fez pra uma praia sem graça não sei aonde…Eu gosto de olhar as fotos de viagens alheias. No facebook. Posta lá que eu olho, comento e curto, e ainda acho bem legal. Mas slideshow, sei não. Aliás, isso nos leva para o próximo item:

2 – Não ter facebook / não ter nenhuma rede social / não se comunicar pela internet a não ser por email
Os alemães não são as pessoas mais comunicativas desse mundo. Tudo bem, nós brasileiros somos HÍPER-MEGA-SOCIÁVEIS-AO-EXTREMO. Não é que eu queira que os alemães fiquem o tempo todo conectados no facebook e no whatsapp que nem eu. Mas sabe quando bloquearam o wpp no Brasil, outro dia? Se fosse aqui, aposto todos os euros que eu tenho que os alemães nem. teriam. percebido. Sério. Se bloquear o facebook, então. Vai passar totalmente batido pra eles.

Diferente de nós, os alemães não tem necessariamente contas no facebook. Alguns tem. Outros não. Não é esquisito, pra eles, que alguns amigos não tenham facebook. Os que tem raramente colocam o nome de verdade, lá, normalmente eles colocam um nome inventado qualquer, por paranóia com privacidade. E os que têm facebook postam coisas muuuuuito raramente. Talvez entre os mais jovens, adolescentes, seja diferente, não sei. Mas entre as pessoas da minha geração, entre 25 e 30 anos, os poucos amigos alemães que têm facebook postam algo ou comentam/curtem coisas tipo umas 3 vezes por ano, talvez.

Isso pra mim é meio impensável. Não pelo facebook, em particular. Mas estar conectado o tempo todo é algo que é normal pra mim já faz bastante tempo. E principalmente depois que eu vim morar aqui isso passou a ser mais importante ainda, pra manter contato com as pessoas do Brasil que importam pra mim. Se eu e meus amigos no Brasil fossem tão ausentes da internet quanto os alemães são, com certeza eu já teria perdido contato com quase todos meus amigos nesses quase 4 anos que estou na Alemanha. E aliás, é meio isso que acontece com o meu namorado: os amigos de faculdade dele quase todos estão morando agora em outras cidades, e ele só fica sabendo deles tipo uma vez por ano quando muito. Não dá pra manter contato só por email, sabe. Isso exige você parar pra escrever um email específico para uma pessoa. Pelo face a pessoa posta lá alguma coisa da vida dela, vc vê, acha legal, acompanha… ainda que você não comente por algum motivo qualquer, você tá lá acompanhando e se sente próximo da pessoa dessa maneira. Isso pra mim é bem importante, sentir que estou de alguma maneira acompanhando a vida dos amigos mesmo estando longe.

Aqui nesse post eu falei um pouco sobre essa relação esquisita que os alemães têm com a internet.

3 – Esbarrar nas pessoas e não pedir desculpas
Bom, esse costume eu espero nunca incorporar. Não sei se em todas as regiões da Alemanha é assim, mas pelo menos na Saxônia as pessoas são grossas, que meu Deus. Não apenas esbarram em você e não pedem desculpas, em lugares cheios eu tenho a impressão honesta de que as pessoas não fazem o MENOR esforço para NÃO esbarrar em você. Você tá lá no caminho? E daí? Vou passar mesmo assim. Whatever.

Credo. Melhorem, alemães, melhorem.

4 – Achar que sanduíche é ou com queijo ou com presunto
Isso aqui não faz o menor sentido. Mas às vezes você quer comer uma coisinha qualquer, sabe, tipo um misto quente, ou até mesmo um misto frio, só pra disfarçar? Não. “Misto” é um conceito que os alemães ainda não incorporaram. Ou o pão é com queijo, ou o pão é com presunto, ou o pão é com salame. Todos terão tomate e pepino. Mas queijo E presunto, ou queijo E salame? Impensável. Quando eu estava escrevendo minha dissertação e passava o dia na biblioteca, não tinha almoço na cantina, só uns sanduichinhos frios e coisinhas assim. Às vezes eu almoçava lá e pra não comer um pão só com queijo ou só com salami, comprava dois, um com queijo e um com salame e “misturava” o conteúdo dos pães. Só assim.

5 – Lavar a louça fechando o ralo da pia
Os alemães têm uma maneira muito particular de lavar a louça. Pelo menos pra mim é particular. Eles fecham o ralo da pia e enchem a pia de água, tipo como quem vai deixar alguma coisa de molho. Mas aí eles lavam a louça assim, com a água ali parada. Imagino que seja a maneira que eles encontraram de lavar a louça usando pouca água, não sei. Mas eu juro que NÃO SEI como se lava a louça assim! Tá, pra lavar os primeiros dois pratos tudo bem, mas e aí? A água já tá suja e nojenta, COMO que lava a louça com água suja, gente???? Juro que pra mim é um grande mistério. Não sou a favor de lavar a louça esbanjando água, eu sempre fecho a água quando estou passando detergente na louça, etcetc. Não acho, de verdade, que lavar a louça como eu lavo gaste mais água que lavar a louça desse jeito curioso alemão…

Por sorte, quase toda casa alemã tem máquina de lavar louça, então não tenho nem que lavar a louça do meu jeito causando estranheza aos alemães, nem que observar, indignada, essa maneira absurda de lavar louça.

6 – Não ter ralo geral no banheiro e o piso dentro do box ser elevado em relação ao resto do banheiro

Os alemães não são muito bons de banheiro, sei lá. Ok, isso não é bem um costume, mas uma maneira como eles constroem suas casas, ou mais especificamente, seus banheiros. Mas aqui é assim: normalmente o chuveiro é dentro da banheira, com só uma cortininha pra separar a área do banho do resto do banheiro. E quando tem um box de fato, ou um chuveiro que não seja sobre a banheira, aí o piso da área do chuveiro é ELEVADO em relação ao resto do banheiro! Gente, isso não faz sentido nenhum, e se a água escorre pro resto do banheiro? E pra fazer tudo ficar ainda mais absurdo, NÃO TEM RALO GERAL nos banheiros!!! não tem ralo geral! Tem ralo na pia, tem ralo na banheira, tem ralo no box. Mas um ralo geral não tem! Tudo bem, eu entendo que não precise lavar o banheiro com uma mangueira de água, como muita gente no Brasil faz. Basta um pano úmido, e pra isso não precisa de ralo. Justo. Só que e quando escorre um monte de água do box ou mesmo da pia por algum motivo qualquer? Quer dizer, é uma área molhada, isso pode acontecer. Isso, na verdade, aconteceu ontem mesmo. Estava tomando banho num box e não percebi que o ralo estava meio entupido com cabelo. E a água estava acumulando. O box era bem fechado, então enquanto a porta estava fechada, estava tudo bem. Mas aí quando eu abri a porta, toda a água que eu não percebi que estava acumulada no chão escorreu de uma vez só pro banheiro, cujo piso está mais baixo que o do box, claro. Sem ralo pra onde empurrar a água, a única maneira de secar o banheiro foi com pano, torce o pano na pia, põe o pano no chão, torce o pano na pia, põe o pano no chão, torce o pano na pia… Não, algo aí não tá certo.

7 – Abrir a janela quando está muito frio lá fora
Eis algo que os alemães A.DO.RAM fazer. Abrir a janela pra entrar um “arzinho” quando tá DEZ GRAUS NEGATIVOS LÁ FORA.

“Não, mas tem que abrir um pouquinho, se não junta umidade na janela e aí estraga sei lá o quê”
“Mas tem que trocar o ar, não sei o quê etcetc”
“Não, mas tá muito quente aqui dentro, deixa entrar um arzinho.”
“Mas tá com cheiro forte da comida que a gente comeu agora, deixa sair um pouco o cheiro.”

Ok, só que não enquanto eu tô sentada do lado da janela, sabe!!

8 – Usar pantufas
Isso tem a ver com o costume que eu mencionei no outro post, sobre não usar sapato em casa. Eu já acostumei a sempre tirar o sapato antes de entrar em casa. Mas nunca me acostumei a usar pantufas. Os alemães (ok, não todos, mas muitos) fazem mór questão de umas pantufinhas. Invariavelmente eles te oferecem pantufas emprestadas se você está visitando. Mas eu tô de meia, sabe, não vejo porque pantufas. Quando eu não tô de meia, tá, uso havaianas. Mas não pantufas. E os alemães não sacaram, ainda, a praticidade das havaianas.

9 – Não necessariamente responder “tudo” quando alguém pergunta “tudo bem?”
No Brasil a gente fala “tudo bem?”. Aqui, os alemães perguntam “tudo bem?”. É uma pergunta, assim, de verdade, e tal. Não precisa responder “tudo”. Pode responder “não muito, viu”, “ah, mais ou menos”, “não mesmo”, “tô péssima!”. Pra gente tudo bem é tipo “bom dia”, não é uma pergunta de verdade. Isso eu ainda não consegui me acostumar. Se alguém me pergunta “tudo bem”, eu respondo automaticamente “tudo”, independente de qualquer coisa. É a resposta automática. Tipo “bom dia.” “bom dia.”. “Tudo bem?” “Tudo”.

Outro dia mesmo eu percebi o quanto é automático pra mim responder tudo quando tive o seguinte diálogo:

“Oi, Laís, tudo bem?”
“Tudo, só que minha vó faleceu ontem, tô bem triste.”

Não tava tudo bem. Minha vó tinha falecido. Eu estava (ainda estou) bem triste com o fato. Mas o “tudo” foi totalmente automático. “Tudo bem, mas tô super triste.”

10 – Não confiar em datas de validade
Uma coisa quase totalmente sem utilidade para os alemães são datas de validade. Eles ignoram datas de validade completamente. Ontem mesmo a gente comeu uma gelatina que tinha perdido a validade em 2011. Não sei, na verdade, como são as pessoas no Brasil em relação a datas de validade. Mas quando eu vejo que passou a data de validade, eu jogo o negócio fora. Sei lá, prefiro não arriscar. Passou a data de validade, vai que eu morro?

Os alemães eles olham, cheiram, experimentam, procuram no google e só aí decidem se é melhor jogar fora ou se podem comer. Ninguém morreu da gelatina de 2011, podia mesmo comer. Eles falam que é obrigatório por lei para todos os produtos, ter data de validade. Só que algumas coisas não perdem a validade tipo nunca. E mesmo assim eles têm que pôr uma data, lá. Aí eles meio que ignoram totalmente a data e tentam descobrir de outras maneiras se podem ou não podem comer.

O meu namorado chega ao extremo de se perguntar se dever tomar determinado REMÉDIO que perdeu a validade. Isso eu proibi. Não, gente, remédio fora de validade você JOGA FORA, não fica se perguntando se tudo bem, pelo amor de Deus…

Ok, acho que já deu! Esses são só alguns costumes estranhos que eu depois de quase 4 anos ainda acho estranhos, alguns dos quais eu provavelmente acharei estranhos pelo resto da vida (Sanduíche tem que ser com queijo E presunto, gente, acordem!!!).


(Publicado em 29 de Dezembro de 2015)

Dez costumes alemães que eu incorporei

Uma coisa de se mudar (ou passar muito tempo) num lugar diferente é que aos poucos, algumas coisas que antes pareciam totalmente estranhas para você passam a ser normais. Várias coisas que no começo eu achava totalmente sem sentido aqui hoje me parecem totalmente normais e eu até esqueço que outra coisa diferente já foi o normal.

Ultimamente andei pensando em algumas dessas coisas, então resolvi escrever um post com 10 costumes diferentes alemães que eu já incorporei totalmente, e 10 outros que eu ainda não incorporei ou acho que jamais incorporarei!

Não costumo fazer posts desse tipo, mas às vezes é legal!

DEZ costumes alemães que eu já incorporei total!

1 – Natal que dura 3 dias.
Ok, isso nao é exatamente um costume, mas foi isso que me fez pensar no assunto desse post. Aqui na Alemanha, dia 26 de Dezembro é feriado também, e chamado de  “segundo dia de Natal” ou “segundo feriado de Natal”. Como eles comemoram o Natal principalmente na véspera, dia 24, o Natal acaba tendo 3 dias. Acho bem esperta, essa idéia! Dia 24 não é feriado oficial, embora muita gente não trabalhe. Aliás, outro feriado dobrado é a Páscoa. Tanto a sexta-feira antes da Páscoa – sexta-feira santa – quanto a segunda-feira seguinte são feriados. Também é o segundo dia de Páscoa, segunda-feira. Segunda-feira é tão Páscoa, ainda, que eu fui perguntar agora pro meu namorado como chamava esse dia, e o seguinte diálogo seguiu:
“Sabe a segunda-feira depois da Páscoa?”
“Ahm? Como assim?”
“Ué, a segunda feira. Depois. Da Páscoa.”
“Ué, tem alguma coisa na segunda feira depois? Só sei da segunda-feira DE páscoa.”
“… É, isso. Como chama?”
“Segunda-feira de páscoa”
“Ok, esquece.”.

Com o Natal é a mesma coisa, inclusive, se vc disser para alguém, por exemplo “vamos nos encontrar no dia seguinte ao Natal?”, pode ter certeza que a pessoa vai marcar o encontro pro dia 27 de Dezembro!

Não sei se eu incorporei totalmente esse “costume”, mas dia 26 quando algum amigo no Brasil comentou que ia ter que trabalhar já no dia 26, eu brevemente pensei “ué, mas é feriado!”

(Até porque aqui quase ninguém mesmo trabalha em domingo e feriado, é proibido abrir lojas nesses dias! Aliás, outra coisa que eu incorporei: lembrar de fazer as compras para o Sábado porque no Domingo fecha tudo! Mas não vou fazer um item pra isso.)

2 – Passar muito rápido pelo caixa, especialmente em supermercados.
Esse aqui é SUPER importante. Muito mesmo. Os alemães CORREM no caixa. É tudo muito rápido, vc põe as suas compras na esteira o mais apertado possível, logo atrás já vem o próximo com as compras seguintes, etc. Quando chega no caixa, o caixa vai passando os produtos mega rápido, fecha a compra e já começa a passar o próximo cliente independente de você já ter ou não terminado de empacotar as suas compras. E se você ficar enrolando com isso, todo mundo vai te olhar feio que você está lá atrapalhando os outros. Normalmente se você não conseguiu terminar de colocar suas compras nas sacolas antes de pagar, você paga, e leva o resto para o balcão atrás do caixa (tem sempre tipo uma mesa-balcão para situações assim) e termina de empacotar lá sem atrapalhar o caixa e os outros clientes que estão com pressa. Sério, é tudo muito rápido.

E para pagar é a mesma coisa. O ideal é você chegar no caixa com o dinheiro já pronto, que se você ficar na hora ali contando moedinha uma por uma, pode ter certeza que vão te olhar feio, e, dependendo da falta de paciência do caixa (que não são as pessoas mais simpáticas que você vai encontrar pela Alemanha), suspiros impacientes, roladas de olhos para cima e sons diversos denotando desaprovação. Chega com o dinheiro contado na mão ou paga logo com uma nota de 50 euros ou cartão. Porque além de tudo, você é que vai ser considerado o mal-educado da história, se ficar lá enrolando.

Esse costume eu incorporei totalmente. Já peguei a manha de ser rápida no caixa, e da última vez que fui pro Brasil, fiquei me mordendo pra não perder a paciência nas vezes em que fui no supermercado, com a lentidão de todo mundo em pegar produto por produto, colocar leeentamente na sacola, procurar beeem devagar as moedinhas uma por uma… E aliás, isso nos leva ao próximo item:

3 – Não ter sacolinha pra cada grão de arroz que você compra
Os alemães são muito econômicos com sacolinhas plásticas. Ou melhor dizendo, nós é que somos extremamente esbanjadores de sacolinhas plásticas. No Brasil, você vai numa farmácia e compra um esmalte e eles te colocam numa sacolinha plástica. Você nem tem a opção de não ter a sacolinha, porque a pessoa do caixa passa o esmalte – ou o que for – no leitor de código de barras e já põe direto na sacolinha. Nem dá tempo de dizer “não precisa”. Aqui você rapidamente esquece esse exagero de sacolas plásticas. Em lugares como farmácia, lojas menores, eles só te dão uma sacola se você pedir especificamente por uma. Às vezes eles perguntam. Supermercados atê têm sacolinhas plásticas gratuitas mas elas são MUITO toscas, bem pequenas e super finas. É raríssimo alguém usar as sacolinhas disponíveis, raro mesmo. Normalmente as pessoas trazem suas próprias sacolas, ou, se tiver esquecido, compra uma decente reutilizável de pano ou de papel. Quando a gente esquece as sacolas de pano a gente ou compra uma de papel no supermercado, que é bem útil pra juntar o lixo de papel (veja o próximo item!), ou leva as coisas em caixas.

Aliás, sobre caixas nos supermercados: você não precisa pedir uma, basta pegar qualquer uma que já esteja vazia. Tem dois tipos de supermercado, os mais caros, tipo Rewe e Konsum, e os de desconto, tipo Aldi, Lidl e Netto. Esses últimos são os mais comuns e freqüentes, e o que a maioria das pessoas usa no dia-a-dia. Os preços são mais baixos, mas os produtos não são diferentes, a diferença maior é que tem algumas coisas mais “especiais” que você não encontra nesses supermercados, e também que eles são mais “bagunçados”. Então por exemplo, em vez de tirar os produtos da caixa e colocar bonitinhos na estante, eles colocam a caixa aberta com os produtos direto na estante.

Daí as caixas vazias. Quando as pessoas pegam todos os produtos daquela caixa, ficam lá sobrando as caixas vazias, que você pode pegar, se quiser, pra colocar suas compras. A gente faz isso com freqüência quando compramos nesses supermercados de desconto até porque eles normalmente não têm cestinha, só carrinho, e a gente raramente faz compras em grandes quantidades. Então a gente acaba pegando caixa também para carregar as coisas enquanto está fazendo as compras.

4 – A maneira de separar o lixo
Aqui separa-se o lixo, mas não é isso especificamente que eu incorporei – já que eu já separava o lixo antes – mas sim a maneira particular de separar o lixo. Aqui tem um lixo para recicláveis (embalagens, principalmente) (amarelo), um lixo orgânico (marrom), um lixo para papel (azul), e um lixo para outros (preto). E vidro só pode jogar nuns contâiners em locais específicos. Separar dessa maneira já ficou totalmente automático, agora. Sempre que você está num lugar diferente, tipo a casa de outra pessoa, e você precisa jogar algo no lixo, vc não pergunta “onde fica o lixo?”, você pergunta “onde fica o lixo reciclável?” ou “qual que é o lixo orgânico?”. O curioso é que o lixo reciclável é amarelo, mas eles às vezes chamam ele de “Der Grüne Punkt”, ou “o ponto verde”. Esse ponto verde é o símbolo de lixo reciclável, que é verde, esse aqui:

Todos os produtos que têm esse símbolo em algum lugar da embalagem (às vezes em preto e branco) vão no lixo com tampa amarela. Só que às vezes, por exemplo em restaurantes, eles têm só dois lixos, um para recicláveis e outro para as outras coisas. E aí às vezes eles marcam os dois com plaquinhas dizendo “Grüner Punkt” e “Sonst” (outros) ou algo similar.

E assim o lixo amarelo acaba às vezes sendo chamado de Ponto Verde. Não é daltonismo, não.

Para saber melhor sobre como funciona a separação de lixo e reciclagem na Alemanha, tem esse post aqui que explica tudo direitinho.

5 – Ficar sem sapato e sem casaco em casa
Aqui na Alemanha todo mundo tira o sapato antes de entrar em casa. Quer dizer, depois de entrar, mas antes de entrar nos outros cômodos. Nas casas e apartamentos você entra sempre em um hall de entrada, nunca direto na sala. Lá as pessoas deixam seus sapatos e casacos. O casaco, óbvio, pq quando tá frio fora dentro tem aquecimento. O sapato pra não sujar o chão. Especialmente quando tem neve, você chega com o sapato cheio de neve que vai derreter nos próximos minutos e criar uma poça de água suja embaixo. Nada que você queira na sua sala de estar.

Você se acostuma totalmente a tirar o sapato e o casaco assim que chega em casa. O casaco, aliás, você se acostuma totalmente a tirar quando chega em qualquer lugar. Qualquer tipo de jaqueta, mesmo que seja mais fina porque está só fresquinho, todo mundo sempre tira quando chega num lugar fechado. Se você continuar usando seu casaco ou jaqueta, as pessoas vão achar BEM estranho e perguntar porque você está fazendo algo tão sem sentido. Tira esse casaco e pendura ali na entrada antes que te olhem estranho!

6 – Fechar o zíper do casaco
E já que estamos no tema casacos e inverno, outro “costume” que você logo incorpora por aqui: fechar o zíper do casaco/jaqueta. Eu coloquei costume entre aspas porque isso não é um costume, é uma coisa totalmente normal que faz todo sentido. Casaco não funciona se tiver aberto, gente. A gente não sabe disso antes de viver um inverno de fato. Casaco de inverno, ou mesmo uma jaqueta mais fina, são a prova de água e vento, e é isso principalmente que faz com que o casaco te deixe quentinho, porque não entra aquele vento gelado. Obviamente isso só funciona se você fechar o casaco. Mas no Brasil a gente não tem inveeeeerno inverno de verdade, muito menos casaco de verdade, e aí a gente não sabe que casaco é pra fechar. É sempre assim: se você vir um brasileiro passeando por aqui no inverno (se estiver só viajando), a pessoa tá sempre com o casaco aberto. No maior frio. Gente, fecha o casaco. Você vai sofrer bem menos com o frio.

(Eu ouvi muita “bronca” do namorado no começo “mas fecha esse casaco, tá o maior frio!” “Mas eu não tô com frio na barriga, tô com frio sei lá onde!” “Mas não importa, se você deixa o vento frio entrar, não vai esquentar nunca!”)

7 – Atender o telefone falando seu nome
Um outro costume típico que eu já incorporei é atender o telefone falando meu nome completo, ou só o sobrenome. Aqui todo mundo sempre atende o telefone falando o nome inteiro ou sobrenome. Nome inteiro = nome + sobrenome. Se você tiver muitos nomes, não precisa atender falando “Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, alô?”, basta “D. Pedro I, alô?”.

É bem prático já saber quem atendeu o telefone quando você liga na casa de alguém, por exemplo. No Brasil se você pergunta o nome da pessoa que atendeu antes de dizer quem é, as pessoas ficam muuuuito ofendidas e desconfiadas!

8 – Tratar desconhecidos por sr./sra. + sobrenome
E falando de nomes e sobrenomes, uma coisa que primeiro é muuuuito estranho por aqui, e depois fica meio normal, é usar os sobrenomes das pessoas que você não conhece. Todas as pessoas que você ou não conhece, ou não é próximo, você trata sempre pelo sobrenome e a forma formal de tratar as pessoas, Sie. Eu ainda acho totalmente estranho meu chefe me chamar de Senhora e usar meu sobrenome toda hora, e aliás em geral ainda acho muito estranho ser tratada pelo sobrenome. Mas esses dias recebi um email de banco do Brasil, e a pessoa – que eu não conheço e com quem nem nunca falei – me tratou pelo primeiro nome e se apresentou com o primeiro nome. Totalmente normal no Brasil. Mas ao responder o email, eu me senti totalmente estranha dizendo “Boa tarde, Ana!” pra alguém com quem eu nunca nem falei! E me deu um ligeiro medo de que ela se ofendesse, mesmo sabendo que eu não estava fazendo nada de estranho. Mas você realmente se acostuma a tratar desconhecidos pelo sobrenome.

9 – Deixar as pessoas saírem antes de entrar no metrô/trem/tram
Hehe, talvez esse item seja mais uma esperança de que isso vai um dia ser assim em São Paulo… Mas aqui as pessoas de fato esperam os passageiros saírem do metrô antes de entrarem. Até dão espaço, esperando do ladinho da porta. É tudo tão mais fácil assim, queria tanto que isso fosse assim em SP!

10 – Não oferecer comida
Uma coisa que os alemães fazem muito raramente, e os nós fazemos quase sempre, é oferecer o que você tá comendo para as pessoas em volta. Os alemães só oferecem quando é, sei lá, um pacote de bolachas, algo assim que tem na embalagem várias daquela determinada comida. Oferecer, digamos, o prato que você pediu no restaurante pra outra pessoa experimentar é uma coisa totalmente estranha, aqui. Não tem nada de errado em pedir pra experimentar, se você quiser, mas oferecer do nada ninguém oferece. Isso eu incorporei tanto que me incomodo demais quando estou com brasileiros ou no Brasil e me oferecem para experimentar o que estão comendo. Agora acabo achando isso muito estranho – se eu quiser eu peço, oras. E algumas pessoas no Brasil não apenas oferecem, mas insistem MUITO até se convencerem de que você realmente não quer. Nossa, isso me incomoda muito! Que é aliás outro costume que eu incorporei: não insistir quando alguém disser não, e dizer sim tranquilamente quando quiser dizer sim para algo que me foi oferecido.

Também escrevi um post sobre essa história de oferecer/aceitar/insistir aqui.

 

Ok, foi bem difícil fazer essa lista, porque tem mais um monte de coisas que daria pra mencionar, e mais um monte de coisas que eu vou lembrar daqui a 10 minutos e achar que deveria ter escrito também! Mas pronto. Só que como o post já está gigante, vou deixar os 10 costumes que eu ainda não incorporei ou acho que jamais incorporarei para postar amanhã num post parte 2!


(Publicado em 28 de Dezembro de 2015)

Martinstag

Martinstag, ou Dia de São Martinho, é uma data religiosa comemorada em alguns países da Europa Central e do Norte, incluindo, claro, a Alemanha. A data oficial é dia 11 de Novembro, mas a comemoração referente costuma ocorrer em diferentes datas, de acordo com a conveniência da escola. Escola?

Eu não sei se outras pessoas comemoram o Martinstag por algum motivo qualquer, mas pelo menos por aqui é tipicamente uma festinha do jardim da infância.

Mas espere, antes de mais nada. Quem é esse tal São Martinho? O Lutero? Não, o Martinho em questão é o São Martinho de Tours, conhecido pela história em que ele corta seu casaco na metade para dividi-lo com um mendigo durante uma nevasca.

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Ele é também conhecido por ser amigo das crianças e padroeiro dos pobres.

Embora seja comemorado pelas escolinhas, não é uma comemoração brega chatinha. É bonitinha porque as crianças saem andando em grupos pela cidade com “lampiões”. Sei lá qual o melhor nome, mas são assim:

Tradicionalmente a procissão das criancinhas é puxada por alguém representando o São Martinho, em um cavalo. Mas acho que não é sempre que a escolinha arranja um cavalo pro evento… E voltando à história da data mais conveniente, como depende um pouco da escola, e a maioria prefere fazer o evento numa sexta-feira para ficar mais fácil para os pais participarem, em diferentes dias de Novembro você vê criancinhas com lampiões andando por aí.

Mas a comemoração não se limita à procissão. A mesma termina em uma fogueira, onde as crianças se juntam e comem o Martinstag Weckmann, um pãozinho em forma de homenzinho com um charuto.

Também faz parte da tradição do dia de São Martinho, comer ganso. Segundo a lenda, para evitar tornar-se bispo, São Martinho teria se escondido em um viveiro de gansos. Mas os gansos cacarejaram (cacarejaram?) e delataram o pobre São Martinho.

Eu nunca vi essa parte, mas de acordo com alguns alemães ocidentais, depois da procissão as crianças vão em grupinhos de porta em porta cantar músicas típicas de São Martinho para ganhar doces. Como cai normalmente no início de novembro, o dia de São Martinho é meio que a tradição alemã “comparável” ao Halloween. (com a diferença de que para ganhar doces as crianças cantam musiquinhas fofas ao invés de ameaçar os adultos com travessuras).

Embora Halloween não seja tradição na Alemanha, aos poucos mais e mais crianças saem com fantasias no dia das bruxas para pedir doces na vizinhança. Não é super comum, mas talvez apareçam um ou dois grupos de monstrinhos e bruxinhas à sua porta dizendo “Süßes oder Saures!”, a versão alemão de Trick or Treat.

Sou mais manter o tal dia de São Martinho, é mais simpático!


(Publicado em 17 de Novembro de 2013)

Universidades alemãs: aplausos curiosos

Universidades alemãs tem diversas particularidades interessantes e diferentes do Brasil. Não vou abordá-las todas num único post, ouvi dizer que é melhor criar suspense.

Mas uma das peculiaridades mais interessantes, e totalmente específica da Alemanha, são os “aplausos” ao final da aula.

Você já está pensando aí com seus botões, como assim, o que tem de especial em aplaudir a aula, super normal, a gente também aplaude!

Mas a diferença reside no aplauso. Eis que na Alemanha não é exatamente um aplauso. Ao final de uma aula na universidade – e isso é exclusivo das universidades, em outros eventos aplaudíveis o aplauso é normal – os alunos batem na mesa com os nós dos dedos (também não sabia que chamava assim, quem me disse foi o Google translator, mas nó dos dedos são aqueles ossinhos da mão que você usa para verificar se um mês tem 30 ou 31 dias), da mesma maneira que você bateria numa porta antes de entrar, só que na mesa! Assim:

Eu sei, eu sei, é provavelmente a coisa mais bizarra que você já ouviu sobre a Alemanha nesse blog ou em qualquer outro lugar! Mas é verdade e totalmente difundido: provavelmente qualquer aula em uma universidade alemã que você presencie terminará com a típica batidinha de nós-de-dedos na mesa. Se você chegar desavisado vai achar totalmente incompreensível e talvez imaginar que os alunos estão fazendo graça do professor ou coisa do tipo. Mas é o equivalente de um aplauso.

Pesquisei um pouco e descobri um artigo no Deutsche Welle sobre o assunto, que descreve algumas possibilidades para a origem deste curioso costume alemão. Segundo o artigo, não existem estudos sobre o assunto e portanto a origem não é certa. Mas o autor sugere (entre outras alternativas) que possa ser relacionado ao fato de que ao final das aulas, há uns dois séculos atrás, aos alunos munidos de suas penas e pergaminhos (ok, pergaminhos talvez não) restava apenas uma mão livre para demonstrar seu entusiasmo com a proeminente fala de seu ilustre professor. Aparentemente deixar a pena de lado por alguns segundos para um aplauso normal era irrealizável restando-lhes apenas a oportunidade de bater na mesa como se fosse uma porta. Plausível.

Origens duvidosas à parte, interessa saber que bater na mesa é um gesto multifuncional!

Se quando realizado ao final da aula representa aplausos, ao ser efetuado poucos minutos antes do horário de término da mesma indica ao professor que a aula já durou o suficiente e os alunos estão cansados e desesperados para que chegue ao fim. Alunos batendo na mesa com esse intuito eu nunca presenciei, mas segundo o meu namorado, com mais anos de experiência em universidades alemãs que eu, acontece sim, de vez em quando, e não é desrespeitoso como soa! Conveniente!


 

(Publicado em 13 de Novembro de 2013)