Sächsische Schweiz

Até agora eu escrevi basicamente sobre cidades. Esse post é sobre a Sächsische Schweiz, ou, traduzindo, “Suíça Saxônica”, um parque nacional no estado da Saxônia, que alguém achou que lembrava a Suíça. Uma visita à Sächsische Schweiz (se pronuncia “Zékciche Chvaits”) é absolutamente essencial se você for passar alguns dias em Dresden. O local é um conjunto de formações geológicas de arenito, uma rocha sedimentar que (segundo o Wikipedia) “resulta da compactação e lignificação de um material granular da dimensão das areias.” Se algum dia um geólogo vier a ler esse post e tiver uma vergonha alheia da minha ignorância nos termos corretos e descrições geológicas, por favor, me corrija! Mas o que eu quero dizer basicamente é que nesse lugar tem varias rochas e montanhas desse tipo particular de rocha chamado arenito. Eu adoraria explicar a origem e o motivo dessas formações geológicas terem essa cara, mas isso já está um pouco além das minhas habilidades. O fato é que o resultado é uma paisagem super particular, muito bonita é impressionante, e que você não pode deixar de visitar se tiver a oportunidade!

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Mas então vamos às questões que você deve estar agora se perguntando:

Como faz pra chegar lá?

Super fácil. Saindo de Dresden, a cidade “grande” mais próxima, dá uma meia horinha de trem. O preço do trem vai depender de qual estação você vai descer. Tem varias opções de acordo com qual área você quer visitar. O região da Sächsische Schweiz é bem gigante e tem muitas opções do que visitar, e de percursos de caminhada que você pode fazer, se você por algum motivo gostar demais do local e quiser passar vários dias lá, dá pra fazer um passeio diferente cada dia com tranquilidade. Eu vou falar sobre três passeios possíveis, que são também os mais turísticos e mais bonitos. Mas antes, uma explicação de como vai funcionar para comprar o bilhete de trem.

A área da Sächsische Schweiz está dentro de uma região que é coberta pela companhia de transportes chamada VVO, seria como a EMTU em SP. Esse é o mapa da região gerida pela VVO. Para facilitar, coloquei umas flechas vermelhas nas estações que eu vou mencionar a seguir.

Tarifzonen-Liniennetzplan

Os bilhetes da VVO são conectados aos bilhetes de transporte público de Dresden. O que significa é que vc pode usar o mesmo bilhete do tram de Dresden para ir até cidades cobertas pela VVO respeitando as zonas. Quer dizer, uma passagem, que custa 2,20 vale para 1 zona. Se vc for pegar o trem de uma zona até a próxima zona, vc compra duas passagens. 3 zonas, 3 passagens, e assim por diante. Claro que dá pra vc ir na máquina de bilhetes, digitar origem e destino e comprar uma única passagem com o preço das tantas zonas, mas saber como funciona é bom para saber qual é a opção mais barata para a sua viagem. Misteriosamente, se vc pergunta na bilheteria da estação como ir de um lugar outro, eles não necessariamente te dão ou te dizem qual a opção mais em conta. É uma coisa meio esquisita. Melhor saber como funciona.

As opções que vão te dar descontos são as seguintes:

Se vc tiver um bilhete semanal para Dresden, vc só vai precisar comprar bilhetes para as zonas seguintes. Se a estação que vc quiser descer estiver, por exemplo, há duas zonas de distância de Dresden, e você for viajar portanto em 3 zonas, vc só precisa comprar mais duas passagens de 2.20 cada. .

Se vc for viajar em só duas zonas (Dresden e mais uma, ou Dresden e mais duas caso vc já tenha, por exemplo, um bilhete semanal para Dresden), com ida e volta no mesmo dia, vale a pena comprar o bilhete diário de duas zonas. Ele custa 8,50, portanto mais barato que 4 x 2,20. Mas na verdade ele só vai valer a pena se vc pegar mais de uma ida e uma volta. Porque se não, vale mais a pena ainda comprar um bilhete de 4 passagens. Ele custa 8,00, e aí vc pode carimbar duas vezes na ida e duas na volta.

Um bilhete diário para uma pessoa para todas as zonas custa 11,50

Se vc tiver viajando em mais de uma pessoa, tem bilhetes para grupos que saem ainda mais baratos.

As opções são as seguintes:

Um bilhete diário para família (até 6 pessoas sendo dessas no máximo 2 maiores de 18 anos), para até duas zonas, por 13.

Um bilhete diário para família, para toda a região (todas as zonas), por 19

Um bilhete diário para um grupo de até 5 pessoas (de qualquer idade), para até duas zonas, por 21.

Um bilhete diário para um grupo de até 5 pessoas, para todas as zonas, por 28.

Essas combinações valem muito a pena.

E não esqueça que você pode usar o mesmo bilhete para os trams em Dresden.

Outra coisa que vale a pena explicar e que vale para todos os passeios: as trilhas são marcadas, tem placas e é bem difícil se perder. Tem bastante gente nas trilhas, elas não são longas demais e sempre acabam em algum lugar habitado. Mas, mesmo assim, se você não conhece o local e não fala alemão, pode se confundir um pouco nas encruzilhadas e ficar com medo de estar perdido. Se mantendo na trilha não dá mesmo pra se perder, mas se você for daquelas pessoas que logo se desespera porque não sabe onde está, talvez seja ideal levar um mapa. Nas lojas de revistas e livros das estações de trem de Dresden sempre tem vários mapas, e você com certeza irá encontrar algum da Sächsische Schweiz se interessar.

Vou falar de três opções de passeios, para três lugares diferentes: Bastei, Königstein e Lilienstein.

Bastei

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A ponte, highlight do passei a Bastei. O monte ao fundo é Königstein.

O primeiro passeio que eu recomendo chama-se Bastei. É certamente o mais visitado, mas também o mais imperdível. Se você tiver um único dia para visitar Sächsische Schweiz, é definitivamente esse o passeio que eu recomendo.

Quando vamos para lá, costumamos fazer um percurso que começa em um vilarejo (Kurort Rhaten) e termina em outro (Stadt Wehlen). A estação Kurort Rhaten fica na terceira zona a partir de Dresden. Descendo lá, siga o fluxo de pessoas através do vilarejo (é minúsculo, tem meia dúzia de casas) até o rio. Para atravessar, tem uma balsa que cruza a cada 15 minutos ou coisa do tipo. Não dá pra errar, o lugar é realmente muito pequeno. A balsa custa algo em torno de 1. Compre um bilhete só de ida já que você vai (se seguir minhas recomendações) voltar por outro vilarejo.

Chegando do outro lado, siga novamente o fluxo de turistas, ao longo do riozinho na cidadezinha (do riozinho, não do riozão). Depois de uns 400m, à sua esquerda aparece a trilha para subir até Bastei. Basta seguir as placas indicando Bastei. Tem mais de um caminho possível, a gente costuma pegar o mais curto para subir e um mais longo para descer. A trilha não é muito longa, as rochas parecem super altas (e são), mas seguindo a trilha rapidinho você chega lá em cima. No caminho, belas vistas para o rio e para as rochas:

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O rio Elba visto de Bastei. Ao fundo, o monte mais a frente é Lilienstein.

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Bastei com neve.

Já quase no topo, você vai encontrar uma entrada esquisita para uma parte separada por uma cerca. É a área onde estão as ruínas da fortaleza medieval que existia no local. Pelas ruínas em si não vale a pena, pq realmente não sobrou nada. Mas o percurso é curto e dá umas vistas muito bonitas, além de custar só 1para entrar, então recomendo.

Logo depois você chega na ponte, que é o highlight do passeio: Imediatamente após o final da ponte tem uma trilha para a direita que te leva a um ponto mirante que dá à vista da foto acima. É uma trilha sem saída, vc vai até o mirante e volta, e continua o percurso em frente. Logo em seguida chega a área com infraestrutura. Tem um hotel, dois restaurantes e um Biergarten. O restaurante com vista para o rio é muito bom e com preços bem abaixo do que vc esperaria para um restaurante do tipo, vale muito a pena almoçar por lá. Mas costuma fechar por algumas semanas no inverno. Nesse caso ainda tem como alternativa o restaurante do hotel, sem vista bonita, mas com comidas igualmente gostosas.

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A ponte, num dia com neve.

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A parte das vistas, do passeio, termina aqui. Para voltar, recomendo um caminho diferente do da ida, que tem menos vistas, mas é uma trilha simpática pela floresta. Basta continuar em frente após os restaurantes pela rua, e quando aparecer (logo mais) uma lojinha de souvenirs à esquerda, continuar pela trilha que começa da lojinha. Tem umas três opções de trilhas para descer até Stadt Wehlen, escolha qualquer uma, tanto faz. Uma é mais longa e mais bonita, outra é mais curta, mas também simpática, fica a gosto do cliente. Basta seguir placas indicando “Stadt Wehlen”. Deve demorar entre 30 minutos e 50 minutos até você chegar lá, dependendo de qual trilha escolher.

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Stadt Wehlen vista lá de cima.

No pequeno vilarejo de Stadt Wehlen, você pode se quiser parar na pracinha central para tomar um sorvete ou comprar uns souvenirs. Descendo até o rio, você logo verá a balsa que atravessa. Essa balsa é parte do transporte público, então você pode usar o mesmo bilhete do trem para atravessar o rio, não precisa comprar um novo.

Do outro lado, os trens para Dresden param na estação Stadt Wehlen de meia em meia hora. Essa estação está na segunda zona. Então a volta é um pouco mais barata que a ida.

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Königstein vista ao fundo.

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Um dia com um pouquinho de neve.

Königstein

Também bem turístico, Königstein é uma das montanhas da Sächsische Schweiz com algo extra: um castelo de aproximadamente 750 anos de idade. A estação de trem qual você tem que descer tem o mesmo nome, Königstein, e de lá é relativamente fácil chegar no castelo, basta ir subindo. Na cidadezinha onde fica a estação de trem você vai encontrar algumas placas apontando para “Festung Königstein” (fortaleza Königstein), e na dúvida ou ausência de fluxo de turistas, pergunte para alguém. A parte mais “difícil” é encontrar onde da cidadezinha que começa a trilha pela floresta que leva para o castelo. Mas uma vez na trilha não tem erro, é só ir seguindo sempre para cima. A trilha específica que te leva para o castelo é marcada com um pontinho vermelho ou uma linha horizontal azul (As trilhas pelas florestas na Alemanha são sempre marcadas com sinais (pontos ou linhas de diversas cores) nas árvores e placas. O pontinho vermelho, por exemplo, é como se fosse uma pequena bandeirinha do Japão pintadinha em algumas árvores).

A alternativa caso você seja deficiente físico, um senhor ou senhora de mais de 80 anos, ou ainda uma pessoa relativamente jovem mas extremamente preguiçosa que não deseja subir andando, é pegar um trenzinho que sai a cada 10 minutos da cidadezinha de Königstein e leva até o entrada da fortaleza. Esse trenzinho sai do estacionamento no centro da cidade (é fácil de achar pq a cidade é minúscula, mas qualquer coisa pergunte) (Não procure por trilhos pq não é um trem de verdade, é um ônibus disfarçado de trenzinho, meio daqueles que tem em cidades pequenas turísticas ou parques de diversão). O preço da passagem é 3€ por pessoa, ou 5€ ida-e-volta.

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Trilha que leva a Königstein.

Chegando lá, a entrada para a fortaleza também é paga. O preço varia por estação do ano. Entre Novembro e Maio custa 8€, e de Junho a Outubro, 10€. Há outras opções de preços como o bilhete de familia para dois adultos e duas crianças de 7 a 16 anos, que custa 21€/25€, e o bilhete de família reduzida, para um adulto e duas crianças de 7 a 16 anos, que custa 13€/15€. Crianças de até 6 anos de idade não pagam.

A fortaleza é basicamente um “planalto” no topo da montanha. Quando vc chega na bilheteria, você está na parte debaixo, no pé do muro. Para subir, tem a opção de um elevador, pago, ou ir a pé mesmo. Não é um super esforço ir a pé, é bem mais fácil do que pode parecer olhando o muro debaixo! Lá em cima tem diversos pequenos edifícios que compunham a fortaleza:As residências, uma capelinha, armazém de munições, hospital, isso e aquilo. Aqui na página oficial tem um mapa mostrando os diferentes lugares para visitar. Tem uns dois restaurantes ótimos, lojas de souvenir, toda infraestrutura turística necessária, que não é tão presente em outros lugares da Sächsische Schweiz.

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A entrada da fortaleza para quem sobe a pé.

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Por dentro, na entrada.

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O elevador, visto já de cima.

Essa fortaleza já teve muitos usos e funções ao longo dos anos, então não vou me arriscar a falar da sua história. Mas fica aqui o link, também da página oficial, com uma linha do tempo contando a história do local (em inglês).

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A vista lá de cima também é linda, e bem a frente, do outro lado do rio, você enxerga o terceiro monte de que vou falar: Lilienstein.

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Lilienstein vista de Königstein.

Lilienstein

Do outro lado do rio, na frente de Königstein fica Lilienstein. Você desce na mesma estação, Königstein, e atravessa o rio com a balsa. Daí pra cima não tem muito erro. Do outro lado do rio tem apenas algumas casas, poucas opções. Pegue o primeiro caminho que encontrar indo na direção oposta ao rio. Você vai atravessar um pequeno bosque, um grande gramado e chegar na floresta onde começa a subida pelas pedras. Tem acho que duas opções de caminho para subir, mas é tudo sinalizado e também não tem muito como se perder. Você vai passar por escadas por entre as pedras, com cenários muito similares aos de Bastei. E a vista, igualmente impressionante.

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Lilienstein, dos três lugares descritos aqui, é certamente o menos visitado. Isso tem suas vantagens – menos turistas, mais tranquilo – e desvantagens – menos infraestrutura. Lá em cima não tem um restaurante, como nos outros lugares, mas apenas um café. Não é mal, o problema é que ele fecha bem cedo, umas 15h ou 16h. Então melhor não deixar para subir muito tarde, ou levar um picnic.

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Lilienstein vista debaixo.

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Não tem muito mais o que falar de Lilienstein. É um passeio mais curto, menos impressionante que os outros, mais legal também.

Há ainda várias outras trilhas e lugares para ir, e não é difícil encontrar um mapa com as trilhas na seção de viagem de livrarias por aqui.

Mas fazer pelo menos um passeio à Sächsische Schweiz durante sua estadia em Dresden é realmente imperdível!

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Vista a partir de Lilienstein.

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Vista a partir de Bastei.

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