Inverno

Quando a neve derrete

Neve, um tema profundamente curioso para brasileiros ou pessoas de lugares em que não neva. E por um bom motivo, um fenômeno meteorológico completamente inexistente na sua região e tão comum em outras, ir a um lugar em que neva é quase como visitar outro planeta.

Mas mesmo sem nunca ter visto neve, todo mundo tem uma concepção clara na mente de como aparenta uma paisagem nevada. Algo assim:

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Mas o que você só descobre depois de passar um tempo morando num lugar que neva é que esse fenômeno é muito mais complexo do que você imagina, que se manifesta de variadas maneiras, muito além da simples paisagem nevada dos filmes.

Uma dessas maneiras é, claro, a neve derretida. É uma coisa que os filmes nunca mostram, mas quando a neve começa a derreter, de coisa bonita, mágica e especial ela passa para coisa inconveniente, suja, irritante.

O primeiro problema aparece mesmo quando ainda está frio demais pra neve derreter por conta própria. Nas ruas e calçadas com muito movimento, a neve logo derrete. Com os carros passando e sapatos sujos das pessoas, fica uma meleca lamacenta:

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A neve suja fica parecendo areia, tanto na cor quanto na consistência.

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E quando é muita neve, ficam alguns montinhos acumulados onde a neve foi jogada pro lado (quando limparam a rua ou a calçada), e esse montinho demora mais pra derreter que o resto. Fica uma beleza:

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Mas a pior parte é que a neve dá uma derretida nas calçadas onde as pessoas passam, e se continua frio, ela, lógico, congela de novo. Só que o que congela é água logo, o resultado é… gelo.

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Aí é que fica uma beleza pra andar… tudo bem escorregadio. O que nos leva a outro ponto importante: como não escorregar na neve? Quando a previsão é de neve, a prefeitura passa pela cidade jogando umas pedrinhas nas calçadas, que deixam as mesmas menos lisas e escorregadias. Essas pedrinhas são outra chateação depois que a neve derrete, porque fica um monte de pedrinhas espalhadas pela rua, que ficam presas no sapato, entram no mesmo, etcetc. Maior bagunça. A prefeitura eventualmente passa de novo recolhendo as pedrinhas, mas só se eles não forem precisar jogar elas todas de novo na semana seguinte. Então durante janeiro e fevereiro ficam as pedrinhas por todos os lados:

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É um alívio quando as pedrinhas finalmente desaparecem! Mas quando tem bastante neve nas ruas, ou gelo, mesmo com pedrinhas é bem perigoso escorregar. Ideal é também ter boas botas de inverno, que além de serem à prova d’água também têm solas bem robustas, pra aumentar o atrito com a neve (o fato de serem à prova d’água não te ajuda a não escorregar, claro, mas é o critério mais importante pra escolher boas botas de inverno, já que é o que faz o seu pé não ficar molhado de andar na neve).

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Outra coisa chata desse derretimento geral é que a rua fica toda suja, com as pedrinhas e lama, como já mencionei, mas também com poças de água como se tivesse acabado de chover.

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E ficam umas ilhas de neve engraçadas onde as pessoas não andam… nesta foto mostra bem, exatamente em volta dos postes e árvores um montinho restante de neve na rua já bem seca:

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E todas essas pedrinhas e lamas e água suja vão parar dentro de casa… Ok, dentro de casa não porque os alemães sempre tiram o sapato na porta de casa (justamente por causa disso). Mas em lugares em que você não tira o sapato pra entrar, como supermercados, lojas e ônibus, o chão fica bem nojento em dia de neve:

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Outra coisa que você jamais imaginaria é que pedaços de gelo caindo dos telhados podem ser perigosos. Se escorrega um monte de neve do telhado não é grande problema. Mas como na rua, acontece no telhado de a neve dar uma derretida porque a temperatura subiu, e aí congelar de novo quando a temperatura cai de novo, de noite, por exemplo. Quando a neve acumula no telhado e começa a derreter-e-recongelar, é comum escorregar uns pedaços de gelo… Por isso inclusive que os telhados têm uma gradezinha embaixo:

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Essa gradezinha é justamente pra segurar uns pedaços maiores de gelo, para eles não caírem na rua. Mas alguns acabam passando, e pode ser um tanto perigoso para quem está andando na rua lá embaixo. E se você mora no apartamento diretamente sob o telhado (como o apartamento das janelas que aparecem na foto acima), em dias que a temperatura sobe um pouco acima de zero você às vezes é acordado às 2 da manhã com o barulho nada agradável de enormes blocos de gelo escorregando pelo telhado…

Tem também as estalactites que formam no telhado e às vezes quebram e caem antes de derreter.

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Pedaço de estalactite no chão. Não é suficiente pra grandes estragos, mas pode machucar bem se cair bem na sua cabeça!

Enfim. A neve é bonita, bem bonita. Todo mundo gosta pra caramba quando neva, mesmo os alemães que já conviveram com neve a vida inteira. Tudo fica mais claro, mais simpático… mas com a neve vem várias inconveniências e chateações, também.

Mas pra terminar, ficam umas fotos bonitas de paisagens nevadas!

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Schnee… kalt!


(Publicado em 21 de Janeiro de 2017)

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Casas quentinhas

Essa semana o inverno chegou. (em vários sentidos, inclusive)

As temperaturas caíram bem e ontem, aqui em Dresden, veio a primeira neve da estação. Enquanto eu aproveitava o ar quentinho vindo do aquecedor durante o trabalho, percebi que ainda não escrevi muita coisa sobre aquecedores e tal. Ou melhor, sobre como que as casas ficam quentinhas no inverno, aqui.

No Brasil é comum a gente ouvir que alguns europeus passam mais frio no Brasil que na Europa porque fica gelado dentro de casa enquanto aqui tem aquecedor no inverno. Mas na verdade não é simplesmente o aquecedor que faz a casa ficar quentinha. Tem toda uma série de particulares das casas e prédios aqui que os mantém quentinhos no inverno.

É basicamente uma combinação de dois fatores: aquecimento e isolamento.

Pra isolar uma casa ou prédio da temperatura exterior, ele tem que ser completamente fechável. Quer dizer, não pode ter nenhuma frestinha constantemente aberta, como as casas brasileiras têm. Tipo aquela frestinha embaixo da porta de entrada em que as pessoas às vezes colocam uma borrachinha pra não entrar barata por ali, ou a frestinha que normalmente tem em janelas de correr entre as duas folhas? Aqui não dá pra ser assim, as portas e janelas têm que ser de uma qualidade melhor, bem mais isoladas, pra não deixar o ar quente sair. Além da ausência de frestinhas, os vidros são sempre duplos. Em algumas casas mais antigas, inclusive, não é incomum que tenham duas janelas, uma na frente da outra. Tipo no escritório onde eu trabalho:

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São duas janelas, mesmo, simplesmente. Isso certamente porque em algum momento do passado tinha só uma, aí pra melhorar a eficiência energética da casa hoje instalaram a segunda janela na frente, pra evitar a perda de calor para o exterior.

Em locais públicos a porta também é uma questão a ser resolvida. Numa loja, por exemplo, ou num shopping, a porta é aberta com muita freqüência, então o calor pode ser perdido muito facilmente pelas portas. Por isso que nesses lugares há sempre duas portas. Uma porta, aí um pequeno hall, e uns 2 metros mais pra frente, a segunda porta. E no espaço entre as duas, um aquecedor bem forte, de maneira que o ar no interior do edifício está sempre quentinho.

É aliás pra isso que existe porta giratória. Justamente pq aí a porta está sempre fechada, mesmo quando tem gente entrando. Claro que o ar quente tb sai dessa maneira, mas bem menos que em uma porta normal. Mas portas giratórias não são muito comuns por aqui, quando tem são umas bem grandes que cabe várias pessoas ao mesmo tempo. Isso porque essas portas giratórias (são bem mais comuns na américa do Norte) são pouco práticas em termos de fluxo de pessoa – você tem que esperar a sua vez de entrar e em locais com muito movimento às vezes acaba criando uma filinha atrás da porta.

Em locais menores com bastante movimento de pessoas, como restaurantes, é relativamente comum ter uma segunda porta “improvisada”. É basicamente um cubiculozinho feito de cortinas: vc entra pela porta de entrada nesse cubiculozinho de cortinas e aí passa pela cortina pra dentro do restaurante. Isso evita que o ar geladão lá de fora entre e incomode as pessoas que tão sentadas perto da porta comendo.

E além das janelas e portas, as paredes também têm que ser construídas de maneira a isolar o interior termicamente. Isso é feito com a adição de algum material isolante à construção da parede, normalmente é ou isopor ou lã mineral. É por isso, aliás, que vários edifícios (não todoss) são assim:

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O material isolante fica no exterior da parede, e como o porão não precisa ser isolado, porque não precisa ser aquecido, é comum que o isolamento não chegue no chão. Pela presença do isolamento também que as paredes externas aqui são bem mais grossas do que a gente está acostumado no Brasil, algo por volta de 45cm de espessura. O material isolante tem que estar não apenas nas paredes, mas também no telhado e no piso. A casa inteira tem que ser isolada de todos os lados em todas as direções. Só assim pra ficar bem quentinho lá dentro.

Então um edifício seguindo as idéias do modernismo brasileiro – todo aberto sem portas, como é o caso da Faculdade de Arquitetura da USP, a FAU – nunca ia rolar, aqui!

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Os arquitetos alemães bem que sentem uma invejinha de não poderem construir algo desse tipo!

Ah, e toda essa conversa sobre ar quente que sai e ar frio que entra também se aplica a outras coisas que não prédios: metrôs, trens e ônibus. Se você já esteve aqui, percebeu que pra entrar nos ônibus ou metrôs, você tem que apertar um botão que abre a porta. A porta fica sempre fechada, só abre quando algum passageiro aperta o botão pra entrar ou sair. Então se você pára em uma estação e ninguém desce ou sobe, a porta continua fechada. Se você pára em uma estação onde tem só uma pessoa, só a porta que essa pessoa for usar abre. Pra gente que não está acostumado, é meio confuso no começo: você fica de pé ali na porta esperando ela abrir até se tocar – ou alguém te avisar – que você tem que apertar o botão. Mas aí quando chega o inverno você entende exatamente porque é assim: cada vez que alguém entra ou sai do metrô ou ônibus pela porta mais próxima de você, você xinga a pessoa mentalmente por fazer o ar geladão lá de fora entrar, rsrsrsrs.

Mas claro, isolar não adianta se não tiver como aquecer o interior. Aí que entra o aquecimento. Normalmente os aquecedores daqui têm essa cara:

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Eles funcionam da seguinte maneira: a água é aquecida (normalmente a gas) no porão e distribuída pelos apartamentos por encanamentos que então chegam nesses aquecedores. O aquecedor mesmo é basicamente vários canos um do lado do outro por onde passa a água quente.

Esses aquecedores são reguláveis:

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Tem níveis de 1 a 5, 5 sendo o mais quente. 1 e 2 você basicamente só usa pra quando você vai ficar fora do cômodo mas quer que o cômodo ainda esteja aquecido quando você voltar. Por exemplo no escritório a gente deixa os aquecedores no 1 durante a noite pra não estar super gelado lá dentro quando voltamos no dia seguinte. Normalmente enquanto você está no cômodo vc deixa no 3, e só coloca no 5 quando está gelado e você quer esquentar o cômodo rapidinho.

Em casa, é importante lembrar de desligar os aquecedores quando você não estiver em casa ou não estiver usando determinado cômodo. O preço do aquecimento pelo ano inteiro vêm só no ano seguinte e na primeira vez, se você não prestou atenção, você vai se assustar com o preço salgadíssimo do gás e da água!

Em alguns prédios mais antigos, tem aquecimento a carvão: aí tem basicamente um forno em cada cômodo onde você queima o carvão. É um método antigo e bem menos eficiente de aquecer, mas andando pela rua em bairros com muitos prédios antigos você freqüentemente sente o cheiro típico do carvão queimado (é bem gostoso, na verdade, pq é um cheiro que te remete muito a inverno, alemanha, natal, sei lá. Já até escrevi um post sobre isso aqui.)

Como os pontos mais “vulneráveis” de qualquer casa ou edifício em termos de eficiência térmica são justamente as vidraças, é sempre logo abaixo da janela que fica o aquecedor. Ou, quando a janela vai até o chão, logo ao lado. Assim:

Você vai notar, se a sua casa tiver cômodos sem janelas (o banheiro, por exemplo), que esses cômodos raramente precisam de aquecimento. É o caso do nosso banheiro, que tem um aquecedor que nós nunca em mais de 4 anos morando aqui precisamos ligar. Ele tem até aquecedor no piso, que nós também nunca ligamos porque o banheiro nunca fica gelado, já que ele fica no meio de outros cômodos aquecidos.

Ah, e se você tiver um carro por aqui, ele quase com certeza terá aquecimento nos bancos! Sim, o banco fica quentinho! É a melhor coisa!

Mas se você usa óculos, você vai se incomodar profundamente cada vez que você entra da rua num ambiente fechado aquecido: o óculos fica embaçado imediatamente, como quando você entra num banheiro onde alguém está tomando banho…

Acho que é isso que há para falar sobre aquecedores e ambientes quentinhos, exceto pelas várias outras coisas que eu vou lembrar daqui a 10 minutos!


(Publicado em 13 de Novembro de 2016)

As quatro estações 4: Inverno

Finalmente chegamos ao último da série de posts sobre as estações do ano: o inverno!

Pra não pegar o bonde andando, você pode ler os posts antigos sobre as outras estações aqui: Primavera, Verão e Outono!

Embora eu nunca tenha escrito um post especificamente sobre o inverno, já falei do inverno e vários elementos a ele ligados em vários outros posts, como por exemplo esse aqui sobre casacos de inverno ou esse outro sobre esquentadores de mão. Inverno é um tema tão curioso para brasileiros na Alemanha que tem até uma categoria “inverno” só para posts relacionados a temas invernais. É uma pergunta bem comum que eu recebo de quem está planejando morar na Alemanha por um tempo: como é o inverno?

Com esse post espero responder essa pergunta com detalhes.

O inverno é frio. Bem frio. Mas eu achava que era muuuuuuuuito frio até meu irmão se mudar pro Canadá e passar -40˚C lá, que foi quando eu descobri que o inverno na Alemanha até que é bem de boas. Então começando pelas temperaturas: varia pela Alemanha, claro. Dresden é uma cidade bem fria em relação à maior parte da Alemanha, mas menos frias que algumas cidades em regiões mais altas. Por aqui, as mínimas no inverno costumam chegar a -10˚C, se aproximando de veeeez em quando dos -20˚C. O mais frio que eu passei em Dresden, se não me engano, foi -16˚C. Um alemão daqui que já tem uns 50 anos de idade me contou que o mais frio que ele passou em Dresden foi -29˚C.

O normal nos meses mais frios – Janeiro e Fevereiro – é algo entre 0˚C e -10˚C. E se você acha que depois de certo ponto não faz mais diferença se é -10˚C, -15˚C ou -20˚C, saiba que faz, sim, e muita. Cada grau a menos é um sofrimento bem mais acentuado! Eu já percebi que até 0˚C você não sofre tanto. É frio mas é beeeem tranquilo. Abaixo de 0˚C não é mais frio, é gelado. E abaixo de -10˚C é insuportável. Mas também faz diferença se está ventando e se está seco ou úmido. Às vezes nem está tão frio, mas a sensação é bem abaixo da temperatura de fato.

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Previsão de tempo entre 15.jan.2016 e 22.jan.2016 em Dresden

O mais curioso do inverno, talvez, é os sentimentos totalmente contraditórios que as pessoas têm em relação a ele. TODO mundo ODEIA o inverno e, ao mesmo tempo, TODO mundo fica morrendo de raiva em ano que faz pouco frio e quase não neva. É uma coisa muito louca. Pergunta pros alemães, duvido que você encontre um que diga “nossa, eu adoro frio!”. Mas nos últimos anos tem feito menos frio e nevado menos. No inverno de 2013 pra 2014, principalmente, praticamente não nevou. Tinha até estação de esqui tendo que usar neve artificial pra não ter prejuízo. E as temperaturas estavam bem amenas. E TODOS os alemães com quem conversei sobre o assunto ficaram extremamente depecionados com o inverno chinfrim daquele ano. A questão é que, apesar do frio ser por vezes torturante e o inverno depressivo, ele tem uma parte importante na vida das pessoas aqui. Como já comentei nos outros posts, o fato das estações do ano serem muito marcadas faz com que cada época tenha suas próprias características, seus próprios hobbies e atividades e memórias e conexões, e tal. Mesmo quem diz detestar frio e neve pode ter certeza que tá torcendo por uma nevadinha na época do Natal. Porque combina. Comer bolachinhas de Natal, tomar um cházinho, ficar debaixo do cobertor na frente da lareira (se você tiver uma), todas essas coisas obviamente só tem graça se tiver frio lá fora, de preferência com neve. Você pode até não gostar do frio, mas você vai gostar das atividades e costumes ligados a ele.

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E por isso que você também se acostuma ao inverno. Não ao frio, quando tá frio mesmo você sente frio, seu corpo não vai magicamente criar uma camada extra de epiderme extra-resistente ao frio só porque você passou por uns invernos mais fortes. Mas você aprende a se vestir direito, as roupas e acessórios necessários e como usá-los “corretamente”.  E aprende a apreciar certos elementos do inverno.

MAS, por outro lado, os pontos negativos do inverno nem de longe se limitam ao frio. Na minha opinião a pior parte mesmo, é o escuro. Fica escuro muito cedo, principalmente em Dezembro. Aqui em Dresden escurece antes das 16h em Dezembro. Nesse post e nesse aqui eu expliquei um pouco como funciona esses horários loucos de pôr e nascer do sol por aqui. Não só escurece cedo como também amanhece muito tarde, pouco antes das 8h. O que significa que nos dias de inverno mais próximos do solstício de inverno (21 de Dezembro) às vezes você sai pra ir trabalhar/ir pra faculdade antes de clarear e volta do trabalho/faculdade depois de escurecer… é péssimo. E se você, como eu, acorda tarde de fim de semana, às parece que o dia acaba em meia hora. Se vc acorda, sei lá, 13h, aí tem 2h, 3 horas de luz – e uma luz beeeem mixuruca – e aí já é noite de novo. Meio frustrante, parece que o fim de semana acaba em um piscar de olhos.

Inverno cinza seco feio sem neve

Inverno cinza seco feio sem neve

Além do que em novembro todas as folhas já caíram e as árvores estão secas e sem graça, o que, somado ao tempo nublado, dá uma impressão de que tudo é sempre cinza. Essa época do ano pode ser super deprimente se você estiver em um momento difícil da vida. E se é pra ficar escuro, frio e seco, então melhor que tenha neve, logo, pelo menos fica mais bonito (quando ela tá branquinha recém-caída, não quando ela tá suja lamacenta semi-derretida).

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Neve derretendo nojentinha

E quantidade e freqüência de neve também varia muito de cidade pra cidade pela Alemanha. Em Colônia, por exemplo, neva raramente. Aqui em Dresden, bastante. Apesar de que nos últimos 3 anos tem nevado bem menos. Mas no primeiro inverno que morei aqui, por exemplo, nevou quase direito entre novembro e início de abril, com apenas uma pequena pausa – óbvio – nas semanas de Natal e Ano Novo… Aliás, ainda estou pra pegar um Natal com neve… ano passado (que na verdade já é ano retrasado) nevou uns dois dias depois. Mas no geral, a neve só chega de verdade em Janeiro, mesmo.

E com a neve, vem a possibilidade de várias atividades divertidas, claro. Fazer um boneco de neve é básico, mas há tb variações sobre o assunto como gatos-de-neve-escorregadores:

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Famíia engraçada de bonecos de neve.

Famíia engraçada de bonecos de neve.

(O boneco de neve tá na frente de uma árvore, nesse ângulo ficou engraçado!)

(O boneco de neve tá na frente de uma árvore, nesse ângulo ficou engraçado!)

Teve um ano que montamos um bar-de-gelo para o reveillón, foi divertidíssimo:

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Esse ano fizemos um churrasco na neve, outra idéia supimpa:

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E talvez o mais divertido: escorregar na neve de trenó!

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Um pessoal lá traz montando um iglu

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E se você tem curiosidade de testar esportes de inverno como esqui e snow-boarding, sempre tem algum lugar não muito longe com uma estação de esqui. Aqui perto de Dresden o local principal para quem quer esquiar sem viajar muito é Altenberg, uma cidadezinha uns 40km de distância, nas montanhas quase na divisa com a República Tcheca. Na verdade você nem percebe que é nas montanhas porque não é assim os Alpes. São umas montanhas menos extremas, indo de ônibus ou trem você mal percebe que está subindo tanto. Mas Altenberg é mais de 600m acima de Dresden, então é bem mais alto, mesmo. E faz toda diferença. Quando aqui “embaixo” o inverno está ameno e sem neve, lá está o maior frio e com metros e metros de neve. É bem curioso pegar um ônibus ou trem por meia hora e descer no meio do inverno!

Um outro ponto positivo do inverno é que a casa fica muuuuito aconchegante. Todos os lugares têm aquecimento, claro, mas não é só isso. Não sei, quando você está na rua e está o maior gelo, e você olha as janelinhas com luzes amarelas quentinhas dá uma sensação de aconchego imbatível. E aí sentar no sofázinho tomando um chocolate quente enquanto neva lá fora e você quentinho aqui dentro… maior delícia!

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E se não é a melhor época para passeios de bicicleta ou picnics, tem outras atividades que combinam bem com inverno, como cinema. Nesses meses de inverno a gente vai no cinema quase todo fim de semana. Tá escuro o dia inteiro, mesmo, não faz diferença passar 2/3 horas num lugar sem janelas… Que é algo que no verão com o tempo bonito e convidativo para atividades ao ar livre, você nem quer pensar…

Acho que é isso que eu tinha para falar sobre o inverno… será que respondi todas as dúvidas? Se você ainda quiser saber alguma coisa sobre esse tema ou sobre o frio, pergunta aí nos comentários, por email ou lá no face, que eu adiciono aqui no post! =D

Uma observação adicionada mais tarde: Uma dica importante pra quem sente depressão durante o inverno: tome vitamina D. A ausência de exposição ao sol típica dos meses escuros e nublados de inverno resultam numa deficiência de vitamina D, que pode afetar fortemente o humor. Então se você tiver se sentindo cabisbaixo, sem energia, deprimido, mal durante o inverno, experimenta tomar vitamina D. Pode fazer a maior diferença!


(Publicado em 13 de Janeiro de 2016)

Sobre casacos de inverno

Recentemente escrevi dois posts sobre apetrechos de inverno – roupas e acessórios. Mas me parece que faltou falar algumas coisas sobre como usar casacos de inverno que talvez convenha mencionar.

Uma coisa muito interessante que eu aprendi na Alemanha é como guardar seu gorro, luvas e cachecóis ao pendurar o seu casaco em algum lugar. Os alemães guardam seus acessórios nas mangas dos casacões. Como esses casacos são bem fofões, você coloca o cachecol, luvas e gorro nas mangas e eles não caem. É muito prático quando você precisa deixar seu casaco num guarda-roupas digamos em um museu ou teatro. Lá você deixa seu casaco com algum funcionário que o pendurará em um cabide, e portanto guardar os acessórios nas mangas é bem conveniente.

Ok, tentei tirar uma foto de um cachecol dentro de um casaco, mas ficou meio esquisito. Enfim, deu pra sacar, né?

Ok, tentei tirar uma foto de um cachecol dentro de um casaco, mas ficou meio esquisito. Enfim, deu pra sacar, né?

Aliás uma outra coisa sobre casacos de inverno, é que em toooodos os lugares tem cabides, mancebos, guarda-roupas ou guarda-volumes para você deixar o seu casaco.

Em restaurantes, normalmente perto da porta tem alguns cabides ou mancebos onde você pode deixar tranquilamente o seu casaco. Mas também é comum colocar o casaco na cadeira. Todas as salas de aula ou auditórios tem também cabides ao lado da porta. Em teatros, óperas, concertos, tem sempre um guarda-roupas (com funcionários) para deixar o casaco. Em museus, é normal ter tanto guarda-roupa quanto guarda-volume (armarinhos) para deixar casacos e bolsas. Nas casas alemãs, as portas de entrada abrem sempre para um hall onde tem cabides ou armários para casacos, sapatos e acessórios de inverno. Ainda estou por encontrar uma casa alemã cuja porta de entrada abra direto pra sala, acho que realmente não tem porque de fato por aqui seria bem inconveniente.

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E sendo assim, é quase obrigatório deixar seu casaco na entrada, mesmo que não esteja tão frio e você só esteja usando uma jaqueta fininha. Mas o fato é que casacos e jaquetas ninguém usa dentro de casa por aqui. O único lugar interno em que as pessoas não tiram o casaco são lojas e shoppings. Nesses lugares realmente não tem onde deixar o casaco, porque seria uma enorme confusão, claro. Em qualquer outro lugar fechado todo mundo sempre tira o casaco ao chegar, e os alemães vão achar muuuuuuuuuuito muuuuuuito esquisito se você continuar usando o seu. E vão comentar, meio rindo, meio achando ridículo “você não vai tirar seu casaco?”. Você será uma pessoa um tanto exótica por aqui se esquecer de tirar seu casaco na entrada.

E outra prática que pode imediatamente logo de cara e bem de longe te identificar como estrangeiro de país onde não faz frio é andar pela rua com o casaco aberto. Claro, se nem tiver frio e você estiver só com uma jaquetinha fininha tudo bem. Mas no inverno, ou quando estiver frio, se você andar com o casaco aberto todo mundo vai achar beeeem estranho. E pode ter certeza que você jamais verá um alemão andando no frio sem fechar o zíper do casaco. E faz todo sentido – uma das características mais importantes dos casacos de inverno é que eles são resistentes ao vento. Quer dizer que mesmo que estiver o maior vento, não entra ar frio dentro do seu casaco. E lógico que isso não funciona se você não fechar o zíper!

Acho que isso é tudo o que havia a ser dito sobre casacos de inverno. No mais, depois que você se acostuma com esses detalhes, fica muito fácil reconhecer turistas no inverno pela maneira com que eles se vestem! Mas, morando aqui, logo você aprende as manhas de Alemanha! (cofcofcofonomedesseblogémuitosagazeuseicofcofcof)


(Publicado em 27 de Dezembro de 2014)

Apetrechos de inverno 2: acessórios

Essa é a segunda parte do post sobre vestimentas de inverno. A primeira parte discute roupas de inverno (casacos, calças, botas) e pode ser lida aqui.

Agora falando um pouco sobre os acessórios de inverno:

  • Luvas

Tem vários tipos diferentes de luvas, vou abordar uma por uma:

Luvas simples de lã – Basicamente o único tipo que eu vejo à venda no Brasil são as luvas simples, de uma só camada de tecido, bem finas. Essas, aqui, não sevem para quase nada. Eu as considero como luvas de outono. Pra quando tá um outubro meio friozinho. No inverno mesmo, elas ficam esquecidas no fundo do armário.

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Luvas de couro – Bem comuns por aqui são as luvas de couro, especialmente por serem mais elegantes e bonitonas. E são mais quentes que as luvas simples de lã também, já que não têm furinhos. Mas mesmo essas não ajudam muito no invernão, na minha opinião. Mas muitas pessoas por aqui usam só essas de couro, embora não sejam tão quentes quanto outras, porque as outras são também muito grossas e um tanto desconfortáveis se você quiser usar a mão pra qualquer coisa. Mas com -10˚C para baixo, com as de couro seus dedos vão congelar.

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Luvas de lã com duas camadas – Essas eu diria que são a melhor opção para o dia a dia nos meses mais frios de inverno. A camada de fora, de lã, é similar às luvas simples, mas essas têm também uma camada diferente por dentro, de algodão. Dá uma boa diferença para enfrentar o frio, mas, claro, elas são tão grossonas que fica difícil fazer qualquer coisa com a mão sem tirar a luva.

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Luvas com dedos juntos – Eu tenho uma dessas que é de lã com duas camadas, só que com os dedos juntos. Assim:

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Acho uma delícia, o melhor par de luvas que já tive. Claro que não ter os dedos separados dificulta ainda mais usar a mão pra qualquer coisa sem tirar a luva. Mas sinceramente eu achei que fosse ser um problema maior do que é. No final acabou que essas são as luvas mais gostosas e confortáveis ever. Recomendo.

Luvas com dedos juntos que “abre” – Essa daqui é uma versão avançada da luva com dedos juntos. A parte dos dedos abre revelando ou uma luvinha mais fina com dedos ou uma luvinha sem dedos, para vc poder manusear alguma coisa sem tirar a luva.

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Luvas sem dedos – obviamente não servem para sair na rua nos dias realmente frios. Mas no outono ou no comecinho do inverno, são bem práticas para esquentar a mão E usar os dedos ao mesmo tempo. E o melhor mesmo é usá-las quando está frio em algum lugar fechado. Usar o computador quando está friozinho dentro de casa, por exemplo. Claro que aqui vc esquenta o interior das casas, mas em casa, por exemplo, a gente costuma evitar o máximo possível ligar o aquecimento pra economizar, já que a conta sai cara. E em alguns ambientes maiores – salas de aula grandes, ou se você for numa igreja – é difícil aquecer bem o ambiente todo, então na dúvida ter uma luvinha dessas à mão vem a calhar!

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Luvas de esportes de inverno – A opção mais quente mesmo de luvas são as que você usaria para praticar esportes de inverno, como esqui. Elas são totalmente impermeáveis, então dá pra usar tranquilo na neve sem congelar os dedos depois de alguns minutos. São ideais também para brincar na neve – montar um boneco de neve, escorregar de trenó, etc. Crianças sempre têm um par desses em casa para essas situações.

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  • Gorros

Gorros também podem ser encontrados em diversas variedades.

Simples de lã – como as luvas, uma única camada de lã. Esses também no inverno ficam guardados na gaveta. Mas são úteis para quando está por volta de 5˚C ou 10˚C, quando os gorros mais quentes incomodam.

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Grossos com camada extra interna principalmente na parte das orelhas – Esses aqui são ideais para o dia a dia do inverno. A camada extra (às vezes é o gorro inteiro que tem uma camada interna extra, as vezes é só uma faixa na borda, para cobrir a orelha melhor) é necessário pra não congelar a orelha. Na verdade, o essencial do gorro é esquentar as orelhas, mesmo.

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Grossos e mais compridos na parte da orelha – são gorros com um formato de chapéu do Chaves, por exemplo. Tem uns que são bem gostosinhos, mas atenção. Eles parecem ser bem melhores para cobrir a orelha, mas, a não ser que tenha algo que puxe a parte das orelhas por baixo do queixo (veja exemplos), eles nem servem tão bem assim para esquentar a orelha, porque o vento entra por baixo.

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Esse aqui, embora bem gostosinho por dentro, não fecha a parte das orelhas, entra um vento gelado por baixo.

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Esse fecha por baixo do queixo, então não entra, o vento. Mas é meio feioso, só pra quando está bem frio mesmo.

 

Faixa – Uma versão simples de um gorro são as faixas. Como os gorros, elas podem ser com uma ou duas camadas (duas é sempre mais quentinho), e cobrem o essencial: as orelhas. Uma boa alternativa pra quem não gosta de gorros

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“Fones de ouvido” – para quem não é fã de gorro mas ainda sente frio na orelha, tem também a opção “fone de ouvido”, que é basicamente uma tiara que esquenta a orelha. Tem vários tipos diferentes, também.

  • Cachecóis

Cachecol não tem muito segredo, não. Qualquer cachecol já ajuda. Mas no invernão mesmo, o ideal é ter um cachecol bem comprido e bem largo. Que é pra dar pra enrolar umas três vezes em volta do pescoço, queixo, nariz, tudo. Se for grosso, de lã, mas sem buracos grandes por onde possa entrar o vento, melhor.

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  • Meias

Finalmente, tem também meias. Meias não precisam de nada de especial se você tiver uma boa bota de inverno. Mas é legal também ter uns pares de meias de lã, bem gostosinhas. Para saber sobre meias-calças, veja o primeiro post sobre apetrechos de inverno!

Acho que falei sobre tudo o que sei para resistir aos invernos alemães. Uma dica ainda para esquentar as mãos são os esquentadores de mão! De resto, boa sorte com a neve!


(Publicado em 7 de Dezembro de 2014)

 

Apetrechos de inverno 1: roupas

Esse post já estou planejando desde o inverno passado, mas como no inverno passado quase não nevou e fez pouco frio, acabei não me animando pra escrever. Mas agora vai. Vou separar em duas partes já que é bastante coisa pra abordar. A primeira parte é sobre roupas de inverno. A segunda é sobre acessórios de inverno.

Uma coisa que brasileiros ou outros estrangeiros de países menos frios sempre se perguntam ao chegar por aqui é: do que eu preciso para sobreviver ao inverno?

Os acessórios e roupas de inverno por aqui são variados, numerosos, e bem bem diferentes do que no Brasil. Então a primeira dica (e isso você provavelmente já sabia antes) é: deixe para comprar vestimenta de inverno quando chegar, não traga do Brasil. Qualquer coisa que você pode trazer do Brasil, por mais quentinho que te pareça, provavelmente você vai usar só no outono, daqui, ou no comecinho do inverno. Quando chegarem os -10˚C, -20˚C, esquece.

Aos detalhes:

  • Casaco

Começando com o mais importante. Sempre que eu conheço alguém que acabou de chegar na Alemanha, a primeira pergunta que a pessoa me faz é “onde que eu compro um casaco de inverno?”.

O importante dessa pergunta não é tanto onde, mas quando. Se você for procurar um casaco de inverno em Julho, não vai achar nada. Já em Dezembro, toda e qualquer loja de roupas vai ter uma seção inteira dedicada aos mais diversos casacos de inverno.

As opções mais baratas para casacos de inverno ficam na faixa dos 80 a 100 euros. Isso é um preço bem normal para um casaco em lojas maiores como C&A e H&M. A qualidade não é assim ‘nooossa, que beleza de casaco’, mas ele vai resistir. Só que talvez depois de uns dois anos o zíper quebre, ou alguma coisinha descosture, um botão quebre, coisas assim. Mas também, sei lá se casacos mais caros também não vão ter esses problemas – afinal é uma peça de roupa que você usa realmente todos os dias por uns 3 meses…

Mas o que é importante de prestar atenção ao comprar um casaco para o inverno?

O essencial é que ele seja totalmente impermeável: à prova de água e à prova de vento. Não sei se dá pra ser à prova d’água e não ser à prova de vento, mas costuma dizer na etiqueta se é à prova dos dois. À prova de vento pode parecer estranho, mas juro, roupas podem realmente ser à prova de vento. Quer dizer que, fechadinha, pode estar um ventão gelado que vc mesmo assim não sente frio debaixo do casaco.

Grande parte dos casacos de inverno são revestidos com pena de ganso, e esses costumam ser os mais quentes. Mas no geral, o importante mesmo é resistir à água e ao vento, se você ficar seco e não sentir o vento debaixo do casaco já faz toda a diferença.

Outra coisa a ser considerada é a presença ou não de capuz. Com capuz é melhor para quando chove, e mesmo para quando está ventando muito. Mas eu comprei um recentemente sem capuz e também não é a coisa mais essencial de todas, às vezes vale mais a pena escolher um modelo que você goste sem capuz do que um que você não goste com capuz (e achar casaco de inverno bonito é um grande desafio). Mesmo sem capuz, praticamente qualquer casaco decente de inverno fecha pelo menos até o queixo. Assim:

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(bom, ok, no caso fecha até o nariz)

Quando tá bem frio, ventando, nevando, tudo, não vai ser mal ter um que deixe basicamente só seu olho de fora:

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E finalmente, você deve considerar também se prefere um comprido ou curto. Comprido é bom porque cobre as coxas, que nossa, como ficam geladas. Mas eu uso um curto mesmo, e tudo bem, não acho que seja o fator mais essencial do casaco.

(e os mais compridos eu acho bem mais feios… mas enfim).

  • Botas

Muito necessário no inverno são botas decentes. Duas são as características importantes de uma boa bota de inverno. Em primeiro lugar, é essencial que ela seja à prova d’água. Acho que no Brasil a gente não se preocupa muito com a resistência à água dos calçados (embora em dias de chuvas fortes de verão bem que fizesse sentido). Mas se você vai andar na neve, acredite, não tem como ir com um sapato que não impermeável. Seu pé vai congelar.

O segundo ponto é o atrito da bota. A sola tem que ser bem “irregular”, para aumentar o atrito e evitar que você escorregue no gelo:

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  • Calça e meia calça

A questão com calças é mais simples. Tem calça impermeável, do mesmo material dos casacos de inverno, até revestida com pena de ganso e tudo mais. Mas elas são mais para esportes de inverno mesmo, se você for esquiar por exemplo. Só para atividades normais do dia a dia, ninguém usa calças especiais.

O que significa que você vai ficar com frio na perna, é. Mas claro, meias-calças por baixo são bem bem bem necessárias. Tem várias meias-calças bem grossas, aqui, e tem um tipo que chama “thermo”, que é a ideal para o inverno. Elas são de um material diferente na parte interna que na parte externa. Não me pergunte detalhes de tecidos que eu não entendo, mas o fato é que essas são mais quentinhas e confortáveis. É totalmente normal para homens, também, usarem essas meias-calças por baixo das calças no inverno.

No post seguinte, falo sobre as diferentes opções para os acessórios de inverno (luvas, cachecóis, gorros…).

Caso não tenha lido ainda, aproveite o inverno e a proximidade com o Natal para ler os posts sobre Dia de São Nicolaus, Mercados de Natal e Adventos e Calendários!


(Publicado em 6 de Dezembro de 2014)

 

Cheiro de Alemanha

Você certamente já passou pela experiência de sentir um cheiro não-identificado que imediatamente te remeteu a algum lugar ou momento da sua vida. É bem comum que lugares diferentes tenham cheiros diferentes, e claro que isso é verdade também para países.

Não é que exista um cheiro específico de Alemanha, mas volta e meia eu sinto um cheiro que me remete imediatamente à Alemanha. Outro dia mesmo, viajando fora da Alemanha, um cobertor tinha um cheiro muito Alemanha.

Daí comecei a pensar sobre cheiros e Alemanha. Voltei pra Alemanha agora no final de Setembro, depois de algumas semanas de férias, e o clima já está bem típico de outono (Aliás, desde o meio de Agosto já está meio friozinho). Andando pelas ruas, comentei com o namorado: “Nossa, parece inverno, já! Sei lá, não é só o friozinho, mas está um cheiro de Natal!”. Era um cheiro meio sutil mas me lembrava muito imediatamente Natal e inverno (na Alemanha). Achei que o meu comentário não fosse fazer muito sentido, que a resposta seria algo como “como assim cheiro de Natal?”, mas para a minha surpresa o dito namorado sabia exatamente do que eu estava falando, e ainda sabia identificar o tal cheiro de Natal. Era o cheiro de carvão queimado. Alguns prédios mais antigos por aqui ainda têm aquecimento a carvão, e a queima do mesmo produz um aroma bem típico, que dá para sentir da rua. Consequentemente, no inverno é comum sentir esse cheiro aqui e ali, pelas ruas, embora seja uma coisa bem sutil. Cheiro de inverno.

Além disso, o frio e a ausência de outros cheiros mais típicos da primavera e do verão faz com que a sensação remeta imediatamente ao inverno.

O início da primavera também tem seu cheiro particular de flores diversas, folhas, pólen, calor…

E já que estamos falando de cheiros e Alemanha, também convém mencionar cheiros que você provavelmente não vai sentir na Alemanha. Por exemplo, cheiro de produtos de limpeza. Calma, os alemães limpam suas casas, sim, mas os produtos de limpeza daqui tem cheiros muuuuito mais sutis que no Brasil. E na verdade os alemães nem gostam muito de produtos com cheiros muito fortes. Eles têm várias frescuras contra químicos muito fortes, blá blá, e daí que produtos de limpeza com cheiro muito forte para eles dá a impressão de fortes e perigosos químicos sendo usados pela casa. Bem diferente da nossa experiência no Brasil. Pra mim, quanto mais forte for o cheiro de produto de limpeza, maior é a impressão de que o local está realmente limpo…

Outro cheiro desconhecido por aqui é o “cheiro de piscina”. Cheiro de piscina, é, claro, cheiro de cloro. Mas aqui, os produtos para limpar a água das piscinas não contêm cloro, também por essa aversão a químicos muito fortes. Isso, na verdade, é bem positivo, porque os produtos existentes são igualmente eficientes sem que deixem cabelos loiros e brancos ficarem verdes.

Já um cheiro que logo fez com que eu me sentisse em casa (em casa-Alemanha, digo, não em casa-Brasil) após as semanas fora, foi o cheiro do pão alemão. Como já comentei em algum post sobre comida alemã, por aqui é muito comum comer pães pretos diversos que têm seu cheiro específico, diferente do típico cheiro de pãozinho francês.

Rainer Zenz – Wikipedia


(Publicado em 25 de Setembro de 2014)