Réveillon na Alemanha

Ontem eu reli um post que eu escrevi sobre o ano novo na Alemanha, esse daqui. Eu escrevi esse post na virada de 2013 para 2014, o meu segundo ano novo na Alemanha. Ontem foi meu quinto réveillon por aqui, e acho que agora já tá pra escrever um post um pouco mais específico com algumas impressões mais claras.

No outro post eu já falei sobre raclette, o jantar típico de ano novo daqui. Mas vou falar de novo. Eis aqui nosso raclette de ontem:

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Raclette na verdade é um tipo de queijo suiço, mas o nome também se refere a esse prato meio estilo fondue: Tem essa chapa que você liga na tomada e na qual você pode colocar umas “panelinhas”. Cada um tem sua panelinha e coloca nela as comidas que deseja: queijos, legumes, presuntos, etc. É bem gostoso!

Aqui o réveillon costuma ser comemorado com amigos, e não com a família como o Natal. A grande diferença – na minha experiência – do Brasil é que é um dia em que as pessoas festejam meio exageradamente. Sei lá, se embebedando loucamente, indo em altas festas, coisas assim. O Raclette é relativamente comum como jantar, mas o nosso jantarzinho aconchegante a dois me parece não ser a regra: normalmente as pessoas se encontram com amigos, jantam e depois vão em festas, bares, etc. E bebem. Muito. Ano novo é a pior noite pra andar pela cidade, as pessoas ficam muito loucas, é uma coisa meio estúpida. A gente normalmente depois da janta sai pra ir ver os fogos de artifício em algum lugar estratégico da cidade, mas a pequena caminhada de casa até algum lugar tipo as margens do rio é sempre um stress só com as pessoas bêbadas soltando fogos pelas ruas.

Essa é a outra diferença: TODO MUNDO (ou muita gente) solta seus próprios fogos de artifício. Só que vc imagina uns moleques bêbados soltando fogos de artifício no meio da rua com amigos? Não é sempre uma coisa assim cuidadosa e segura. No ano passado uma loja de donuts que a gente adorava pegou fogo porque alguém jogou fogos de artifício pela janela do porão embaixo da loja… Incêndios resultantes de fogos de artifício não são super comuns, claro, mas com a bagunça que é com as pessoas soltando fogos aleatoriamente vai acontecer um ou outro…

E aí quando você chega em algum lugar estratégico pra assistir fogos – no rio, numa ponte, numa praça com uma vista panorâmica da cidade ou qualquer coisa assim – tá sempre cheio de gente, soltando rojões ali do seu lado. Teve uma vez que alguém soltou um rojão do meu lado e acertou minha perna! Não queimou nem nada, mas foi bem dolorido…

Isso é uma parte da celebração de ano novo daqui que realmente realmente me irrita. Eu adoro assistir os fogos e adoro ano novo, toda essa simbologia de começar um ano, começar um novo, coisa e tal… e esse stress às vezes quase estraga a festa. E, lógico, no dia seguinte a cidade está um nojo: lixo de rojão e fogos de artifício por todo o lado (já que as pessoas não se preocupam muito em limpar seus próprios lixos quando estão caindo de bêbadas…).

Enfim. Não era a ideia inicial escrever um post com tanto rancor, rsrsrs. Mas é que essa parte realmente é chata, e é uma pena.

Bom, pelo menos com tanta gente soltando fogos de artifício o que não falta é fogos bonitos no céu!

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Mas pra quem tem cachorro deve ser um problemão. Tenho uma amiga que mora bem no centro da cidade que normalmente deixa os dois cachorros dela numa pensão de animais meio fora da cidade, pra passarem a noite do ano novo mais tranqüilos. Eu gosto de assistir fogos, mas acho que tinha que ser concentrado, só os fogos oficiais da cidade, ou coisa assim. Aí quem tem cachorro e mora perto de onde é a queima de fogos pode levá-los para a casa de algum parente ou amigo pela noite, e não fica essa bagunça perigosa de todo mundo soltar seus próprios rojões.

Uma outra coisa que eu acho bem estranha do ano novo daqui é a falta de uma contagem regressiva. Não sei, todas as vezes que eu passei o ano novo aqui estava na virada em algum lugar público com bastante gente em volta, e parecia que só eu que estava fazendo contagem regressiva às 23:59:50… nunca teve aquela coisa de todo mundo contar junto gritando bem alto 10… 9… 8… faz falta! E com todo mundo soltanto rojões, se você não está olhando o relógio fica até difícil dizer exatamente quando que virou o ano, pq 10 minutos antes já tem tantos fogos que você fica se perguntando se seu relógio está atrasado!

Enfim… todo ano eu penso: “Bah, ano que vem vou passar a virada tranquila de boas em casa ou em algum lugar bem longe…”. Mas aí no final acabo indo ver os fogos em algum lugar e me stressando com a bagunça, hehehe.

Pra terminar, só mais algumas observações de coisas típicas do réveillon no Brasil que não tem na Alemanha: tradição de se vestir de branco, show da Daniela Mercury (ou equivalente) na Avenida Paulista (ou equivalente), corrida de São Silvestre, calor, comemoração com a família, assistir as comemorações de outros lugares pela TV, assistir a contagem regressiva na TV. Mas pelo menos tem raclette!


(Publicado em 1˚ de Janeiro de 2017)

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2 comentários

  1. Olha que interessante: eu pensava que só no Brasil é que as pessoas soltassem fogos na rua, pois achava que fosse um comportamento apenas de países considerados de “terceiro mundo” (não só o Brasil, mas alguns países latinos que visitei, também soltam muitoos fogos — seja em feriados pátrios ou em comemorações religiosas, o que pra mim não faz nenhum sentido).
    Acho que aqui varia de cidade pra cidade, mas na minha é terrível; e eles não soltam só perto da meia-noite, soltam o dia inteiro. Quando chega a noite, eu estou super estressada, de tanto ouvir fogos e rojões. E sim, os animais sofrem MUITO, seja gato ou cachorro (as minhas sentem muito medo, chegam a tremer e se esconder), e acredito que para os pássaros também não deve ser nada agradável. Este ano vi alguns cachorros correndo assustados, atravessando avenidas movimentadas (muitos fogem de casa, e acidentes acontecem com eles, infelizmente).

    Eu não gosto de fogos, além de estressantes (pelo menos para quem NÃO solta), são perigosos. É algo que deveria ser proibido e soltado apenas por profissionais e em lugares apropriados (minha opinião).

    Quanto à passagem de ano, aqui no Brasil as pessoas ficam “liberadas” para comemorar com amigos também, ou em clubes; não há a “obrigação” de se passar com a família, como é no Natal. E aqui também é um dia em que as pessoas ficam loucas, e começam a beber pelo menos 2 dias antes. Acho que nenhum povo valoriza tanto a passagem de ano quanto o brasileiro, e ninguém faz tanta simpatia ou tem tantas superstições.
    Tudo isso que você cita no final que tem aqui, e não tem aí, são coisas que eu não faço ou não vejo, então, sorte sua que aí não tem essas chatices. rsrs

    Apesar do meu comentário rabugento, rsrs, feliz 2017, Laís! Faz um tempinho que não comento, mas leio todos os posts pelo feed.
    (Suas fotos ficaram bonitas, e é só assim que gosto de ver os fogos, ou pela TV). ;D

  2. Aqui na Alemanha já vi comemoração em bar, em Feuerwehrhaus, na rua em cidade pequena e agora esse ano em Stuttgart no Schlossplatz. Que bagunça foi aquela…. nunca tinha visto algo mais desorganizado! Era polícia a cada 5 em 5 metros, era pessoal gritando e atirando rojões para todos os lados, ambulâncias indo de lá para cá.
    O importante é que agora é 2017 e já dá pra se organizar de novo! Hahaha
    Feliz Ano Novo e tudo de bom pra ti!
    Abraço

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