Relacionamentos entre brasileiros e alemães

Há algumas semanas atrás pensei que um bom tema para um post seria relacionamentos entre brasileiros e alemães. Mais especificamente mulheres brasileiras com homens alemães, que me parece ser o caso mais comum, mas não apenas.

Então comecei a perguntar para amigos e amigas brasileiros que assim como eu têm ou tiveram relacionamentos com alemães, pra comparar impressões e diferenças notadas e ver se minhas opiniões sobre o assunto são gerais ou nem tanto.

E a verdade é que depois de conversar com várias pessoas, ainda não tenho certeza do que vou escrever nesse post… mas vou tentar, vamos ver o que vai sair!

Toda a idéia do post surgiu a partir de uma conversa com outras mulheres, nem todas brasileiras, mas todas estrangeiras, em que uma delas comentou que achava interessante que a maioria das mulheres daquele grupo tinha vindo parar na Alemanha por causa de um relacionamento com um alemão. E percebemos então que isso parece ser uma coisa bem comum: mulheres estrangeiras com homens alemães, e a situação contrária – homens estrangeiros com mulheres alemãs – parece ser bem menos freqüente. E começamos a conversar sobre qual poderia ser o motivo.

Claro, de repente só parece que essa combinação é mais comum porque nós tendemos a procurar pessoas em situações similares para fazer amizade, então é mais fácil para mim, mulher estrangeira na Alemanha, fazer amizade com outra mulher estrangeira na Alemanha. É relativamente comum para as pessoas ter mais amigos do seu próprio gênero que do outro, então vc acabaria só conhecendo as pessoas nessa mesma combinação: mulher estrangeira com homem alemão.

Mas acho que tem sim, vários fatores que fazem com que essa combinação seja a mais comum. Vou separar o post em duas partes: qual a diferença entre namorar um alemão e um brasileiro, e motivos pelos quais essa combinação brasileira+alemão é provavelmente mais comum que a combinação contrária.

1 – O que é diferente, para uma brasileira, numa relação com um alemão?

A primeira coisa que todas as amigas brasileiras mencionam – a primeira antes de tudo – quando eu pergunto qual a diferença entre namorar um brasileiro ou um alemão é: os alemães são bem menos machistas. Algumas mencionaram por exemplo que se sentem bem mais livres em um relacionamento com um alemão. Os ex-namorados brasileiros sempre queriam saber onde estavam, com quem estavam, o que estavam fazendo. Os atuais namorados alemães não tentam controlar suas vidas nem quem são seus amigos nem onde vão ou o que estão fazendo em todos os momentos que não estão juntos. Lógico que não são todos os homens brasileiros que são assim (e nem todos os homens alemães que não são), mas a maioria das amigas com quem conversei tinha uma história de pelo menos um ex-namorado brasileiro exageradamente controlador. Um outro fator repetidamente lembrado é que por aqui os casais têm bem menos problemas em dividir o trabalho doméstico. Pelos exemplos que encontrei parece comum e totalmente normal que cada um faça sua metade do trabalho doméstico, sem brigas ou necessidade de pressão ou stress por isso.

Na verdade, bem no começo do meu namoro eu conheci uma brasileira que era casada há um tempo com um alemão, e a primeira coisa que ela falou ao saber que eu namorava um alemão foi “Ah, que maravilha, os homens alemães são ótimos, você vai ver: eles ajudam com os filhos que é uma beleza!”. Parece ser realmente um ponto importante que facilita essa combinação o fato de que um relacionamento com um homem alemão ser bem mais um relacionamento de igual pra igual do que é comum encontrar no Brasil.

Na minha experiência pessoal, um ponto também muito importante além dessa questão do machismo é que existe uma maior abertura e facilidade em conversar honesta e abertamente sobre qualquer coisa. Em brigas sempre foi mais fácil resolver as coisas com uma conversa honesta em que os dois lados falam abertamente o que estão sentindo.

Além de um maior comprometimento com a relação, mesmo. E isso foi um tema conversado com as amigas também: parece que para os alemães não tem esse meio termo entre ser amigo e namorar. Ou você é amigo ou você está namorando. Sem in-between. Claro que essa diferença não é necessariamente positiva, não são só os homens brasileiros que preferem demorar mais pra se fixar numa relação comprometida, muitas mulheres também preferem assim. Mas uma vez definido o namoro, parece que há – no geral – um maior comprometimento com ele.

Já em relação a começar um relacionamento com um alemão, muitos brasileiros reclamam da dificuldade que os alemães têm em flertar. Isso, aliás, foi mencionado não apenas por amigos héteros, mas também por um amigo gay. Em alguns momentos essa diferença é positiva – abordagens agressivas ou agressividade após ser rejeitado parece ser bem menos comum por aqui. Mas por outro lado, às vezes demora meeeeses até alguém que parece ter interesse em você demonstrar isso de alguma maneira. Mais de uma amiga brasileira falou que no seu relacionamento com um alemão foi ela que tomou a iniciativa que possibilitou o relacionamento – e por aqui não é nada estranho que a mulher tome a iniciativa.

2 – Porque em casais héteros a combinação mulher estrangeira + homem alemão é mais comum que a combinação contrária?

Eu pensei bastante nesse assunto e cheguei a várias conclusões. Uma questão que me parece bem possível é que em vários sentidos é mais fácil em um relacionamento internacional a mulher acabar mudando de país do que o homem. Primeiro tem o fato de que homens no geral recebem mais e têm empregos mais estáveis, além de estarem menos dispostos a abrir mão de um emprego pra tentar a vida em outro lugar. Então no balanço para muitos casais acaba sendo menos arriscado e mais seguro a mulher mudar. Fora que para muitos homens ainda é muito difícil aceitar uma situação em que ele seja sustentado pela parceira nesses meses iniciais após a mudança.

Mas uma outra coisa que eu nunca teria percebido se não tivesse mudado de país, e que acho que influencia isso também: quando você muda para um país novo, com uma língua nova, você inevitavelmente tem que dar uns passos pra trás. Você não vai encontrar imediatamente um emprego no mesmo “nível” do que você tinha antes no seu país de origem, pode ser que demore demais pra você encontrar um emprego na sua área, ou se adaptar ao local e à língua, e nesse meio tempo a sua auto-estima fica completamente no chão. Eu conversei com vários amigos que também sentiram que passaram por isso. Nos primeiros anos no país novo sem conseguir se “posicionar” (encontrar um emprego, ou uma posição na sociedade, mesmo) quando antes as coisas pareciam tão encaminhadas pra você no seu país de origem, você acaba se sentindo incapaz, incompetente, sua auto-estima cai totalmente. E a minha impressão é de que é mais fácil para as mulheres resistirem a essa fase, primeiro porque as mulheres já são na maioria socializadas a dar menos valor pra carreira – de maneira que esses passos pra trás doeriam mais aos homens – mas também porque é mais fácil um relacionamento sobreviver a um período em que a mulher está com baixa auto-estima do que a um período em que o homem está com baixa auto-estima.

Uma outra questão que parece importante nesse assunto são como certas dinâmicas de poder entre raças e gêneros se entrelaçam e se ilustram nos relacionamentos internacionais. Racismo e machismo entre as pessoas aparece claramente nos relacionamentos que parecem improváveis. Quando você pensa em como a xenofobia ou o racismo influenciam a imagem de uma pessoa de um país de terceiro mundo para uma pessoa européia, essa imagem é diferente dependendo do gênero da pessoa que sofre racismo. Para uma pessoa racista – e não tô falando do abertamente racista, mas de qualquer pessoa que foi influenciada pelos conceitos que a sociedade internaliza – um homem negro ou árabe é geralmente visto como perigoso, não-confiável, possível criminoso. Já uma mulher negra, árabe ou oriental é vista como menos independente que as européias, submissa, vítima de machismo, etc. Ou é vista como exótica e sexualizada dessa maneira. Mas não como perigosa, até porque – e aí entra o machismo de novo – mulheres são no geral vistas como “inofensivas”. Então considerando essas dinâmicas sociais de preconceitos diversos que se somam e se influenciam, acaba ficando mais fácil acontecer uma relação entre um homem europeu e uma mulher de fora do que uma relação entre uma mulher européia  e um homem de fora.

É LÓGICO que pra todos os itens mencionados nesse post – espero que nem seja necessário dizer isso – existem exceções. É lógico que existem exceções. Óbvio que tá cheio de homem alemão machista e abusivo, ou homens brasileiros bem legais. Claro que tem exemplos de casos em que o homem muda pro país da mulher e dá tudo certo, e claro que tem mulheres européias que se relacionam com homens de fora sem racismo envolvido, ou homens europeus que se relacionam com mulheres de fora sem a sexualização da mulher “exótica”. Acho meio desnecessário falar isso, mas sempre tem quem queira entender errado: esse post não é sobre você ou a sua relação com uma pessoa de fora. Assim como não é sobre mim nem sobre a minha relação com um alemão.

Mas se você tiver itens a adicionar relacionados à sua experiência, fique à vontade pra colocá-los nos comentários! =)


(Publicado em 8 de Maio de 2016)

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6 comentários

  1. Namorei um alemão por 2 anos e meio, acabou pelo fato de eu não sair do Brasil. Acho que você está certa em muitos aspectos, como um homem consegue deixar um país desenvolvido, e se submeter a ser sustentando por uma mulher no período de adaptação. Muito difícil.

  2. conheci meu namorado alemao nun site de relacionamento, ele mora na suiça, ficamos amigos e tão logo começamos a namorar on-line, falavamos todos os dias isso aconteceu no fim de julho , no dia 30 de agosto ele comprou as passagens para vim mim conhecer, nos via pela camera, era tudo perfeito, um bom homem, porém eu tinha ciúmes dele, mais na verdade ele não fazia nada , eu com minhas brigas e ciúmes , ele mim dizia que ciúmes na europa era doença e eu precisava confiar nele, afinal era ele que estava vindo ao brasil, a data da viagem estava marcada para o dia 24 de dezembro de 2016 , porém faltando tres semanas para ele viajar , mais uma vez brigamos e ele cancelou o voo, meu mundo desabou!! o pior natal da minha vida pois tudo estava planejado e eu custei a acreditar. ele mim bloqueou no faceboock e no watsap, deixou apenas o e-mail e o instragam, pois mim segue, mando e-mail , ele visualiza mais não responde! eu errei por não entender a cultura dele, pedi perdão e na ultima vez que falou comigo, mim disse que eu era dominante e tinha destruido nosso amor. sofro muito pois o amo e não sei se um dia terei ele de volta, mandei recentemente um e-mail falando que vou a suiça em setembro e se ele iria mim pegar no aereoporto , ele leu mas não respondeu, venho estudando alemão, aprendendo sobre a cultura, mais não sei se ainda posso recuperar meu amor que por falta de conhecimento deixei de viver os melhores momentos de minha vida, ao lado do homem que amo.

    1. Marcia.. minha nossa!!!! Minha história é parecidíssima com a sua.. Só muda os personagens… a única diferença é que depois de três meses ele veio responder uma msg minha, contudo está super frio.. e todo o meu sentimento está morrendo…Eu ia em agosto… eu pedi para ir e ele não respondeu a minha pergunta.. Então a resposta deve ser “não”…

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