Universidades alemãs: professores

Continuando o tema de universidades alemãs, algumas particularidades no comportamento dos professores daqui são dignas de nota.

A primeira e mais bizarra de todas: 100% das aulas que eu tive na Alemanha até o presente momento começaram com o professor perguntando aos alunos se tem mais gente chegando, ou se ele pode começar a aula. Essa é uma pergunta que me irrita profundamente. Eu entendo que o professor não queira ser interrompido por alunos chegando atrasados. Mas o que ele espera, quando pergunta aos alunos já presentes na sala, se tem outros alunos que estão a caminho? Sabe, eu não telefono para todos os meus colegas de classe de manhã para saber se eles vêm ou não à aula, ou a que horas pretendem chegar! Como é que eu vou saber se tem mais gente a caminho? Os professores devem imaginar que moramos todos na mesma república, ou então que a primeira coisa que fazemos ao acordar de manhã é postar na página do facebook da turma o horário em que pretendemos chegar na universidade, sei lá! Não faz sentido, essa pergunta! Eu tenho uma vontade muito incontrolável de responder “COMO vc espera que a gente saiba onde estão os outros!! Nós já estamos aqui!”. E sabe, no nosso caso, a gente é uma turma de 15 pessoas, dá até pra perguntar se a turma está completa ou não, isso dá pra responder. Só que mesmo na disciplina que dividimos com outro curso, somando umas 40 ou 50 pessoas na sala, os professores fazem a mesma pergunta! Quer dizer, eu não sei nem dizer se tem alguém faltando, eles ainda querem que eu diga se os faltantes estão ou não estão a caminho! Sei lá, olha pela janela e vê se tem mais alguém vindo! De verdade, essa pergunta me tira do sério.

Aliás quanto à pontualidade, os alemães são mesmo bem alemães. Pela minha experiência, os professores ficam com tudo preparadinho, powerpoint no modo apresentação, olhando pro relógio esperando dar a hora oficial de início da aula, para começar a falar. Se isso parece exagero desnecessário, pelo menos é positivo no fim da aula. Eles são conseqüentes: as aulas nunca ultrapassam o horário de término. O professor fica de olho no relógio para ter certeza que vai respeitar o horário da aula. Com freqüência, se der o horário de término e o professor ainda não tiver terminado o que pretendia falar, ele interrompe mesmo, com bom-obrigado-até-logo. E se ocorrer de ele passar do horário, ainda que só dois minutos, não é desrespeitoso se algum aluno avisar que o horário de término já passou. Eles respeitam e ainda pedem mil desculpas. Mas bom, essa é a minha experiência particular. Não sei dizer se vale para qualquer curso em qualquer universidade. No nosso é sempre assim.

Sobre a quantidade de mulheres em cargos de professores universitários, não tenho dados concretos, mas pela minha impressão e experiência, aqui tem bem menos professoras que no Brasil. Pelo menos comparando com a faculdade que eu cursei, Arquitetura da USP, onde a taxa era de 44% de professoras e 56% de professores (contei agora pelos nomes no site da faculdade). Meu namorado, que cursou arquitetura aqui, conseguiu apontar apenas duas professoras na sua faculdade. Na minha, ainda não conheci nenhuma.

Embora a Alemanha esteja bem na frente em termos de igualdade de gêneros, essa diferença é bem gritante. Talvez o motivo seja o fato de que aqui os professores das universidades (que são todas públicas) não são contratados por concurso público, mas indicados para o cargo por outros professores ou pessoas em altos cargos na universidade. Basicamente não dá para você se candidatar, alguém tem que te indicar. Estranho, fato. Mas pelo menos existem algumas políticas que admitem o problema e tentam corrigi-lo: no caso de um homem e uma mulher terem sido apontados para o cargo e terem qualificações semelhantes, a preferência será dada à mulher.

Outra peculiaridade é que os professores, todos, são sempre tratados pelo sobrenome, e sempre tratam os alunos pelo sobrenome. Isso faz parte daquelas coisas que a gente já sabe sobre os países norte-americanos e norte-europeus, mas é mto difícil se acostumar a ser tratada pelo sobrenome! Isso, claro, é característica da relação professor-aluno por aqui. Aqui os alunos têm bem menos contato direto com o professor, a relação é bem distante. Ninguém jamais adicionaria seu professor no facebook (mas bom os alemães quase não usam facebook. Preciso falar disso em outro post.)

Para finalizar, algumas fotos de universidades alemãs:

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O belo edifício da faculdade de biologia da TU Dresden. Droga, devia ter estudado biologia. (Hm, só que aí eu não poderia apreciar o quão belo é esse edifício! Esquece.)

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Auditório da TU Dresden

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Edifício do Instituto de gestão florestal da faculdade de ciências ambientais da TU Dresden no outono.

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Mesmo edifício por dentro, também bem legal. Aliás, todos os edifícios de universidades alemãs que eu visitei até agora são super novinhos e bem cuidados e limpinhos. Not bad, Alemanha, not bad.


(Publicado em 4 de Dezembro de 2013)

 

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