Atravessando a rua na frente das crianças

Talvez você já tenha ouvido falar que os alemães esperam pacientemente o sinal de pedestres ficar verde antes de atravessar uma rua, mesmo que não tenha absolutamente nenhum carro na rua. Isso realmente acontece, mas nem sempre. Depende um pouco da cidade (em cidades maiores as pessoas são menos pacientes) e das pessoas que estão esperando para atravessar (pessoas mais novas são mais impacientes).

Mas uma coisa é regra absoluta. Se tem criança esperando pra atravessar, ninguém atravessa antes de dar verde pros pedestres. Tanto faz se a criança está sozinha ou acompanhada, parece que há uma regra silenciosa de que não se dá mal exemplo para crianças no quesito atravessar a rua.

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Até aí tudo bem, má ideia não é, tá certo. Só que como de costume, os alemães levam essa regra a sério demais. Dois exemplos recentes ilustram bem isso:

Uma vez, não muito tempo atrás, eu estava andando com o meu marido de casa até o ponto de tram, que fica a menos de 100m de casa, virando a esquina. Quando chegamos na esquina, vi que o tram já estava na estação, então saí correndo pra conseguir pegar o mesmo a tempo. Atravessei a rua, que estava totalmente vazia, mas no vermelho, e ele veio atrás de mim. Quando entramos no tram, “Mas você foi atravessando assim correndo, e na frente das crianças??”, e eu, ué, que crianças? Eis que tinha um grupo de umas 3 crianças de uns 11 anos na outra esquina, conversando na frente de uma copiadora. As tais crianças não estavam nem esperando pra atravessar, nem olhando pra rua, e nem mesmo do lado da rua onde eu estava atravessando, elas estavam na oooutra esquina.

A segunda situação foi ainda mais curiosa: saí para almoçar com duas colegas do trabalho, e o nosso caminho inclui atravessar uma rua onde só passa ônibus. Embora não tenham tantos ônibus que passam por ali, o farol de pedestre tem o mesmo tempo que numa rua normal, então frequentemente a gente fica lá esperando pra dar verde sabendo que nenhum dos carros vai entrar lá pq não pode, e nenhum ônibus por perto. Então num determinado dia lá estávamos nós, nenhum ônibus à vista, decidindo de atravessávamos no vermelho ou não. Do outro lado da rua, mas de costas para a gente, andando pra frente, um pai com uma criança. Vou repetir, eles estavam de costas para a gente. As duas colegas resolveram atravessar a rua no vermelho, meio inseguras, e quando estávamos no meio da rua, não é que a criancinha do outro lado resolve olhar pra trás? Minha colega comenta, sinceramente preocupada, “Ixi, agora a criança vai ver a gente atravessando no vermelho!”

Gente, tudo bem, a idéia é boa e tal. Mas noção sabe. Ficar preocupado achando que a criança 20m lá na frente, nos dois segundos que olhou para trás enquanto você estava atravessando no vermelho vai não apenas ver que estava vermelho, e que você estava atravessando, como também imediatamente aprender com o mau-exemplo, atravessar a próxima rua no vermelho e morrer atropelada? Já é um certo exagero… fica parecendo que as crianças vivem num mundo mágico de fantasia onde nenhum adulto jamais faz nada nem ligeiramente fora das regras, e no momento em que ela vir, assim de longe, num relance, uma pessoa – PASME! – atravessando no vermelho, seu mundo vai cair, tudo o que ela aprendeu sobre certo e errado era uma mentira! Pra quê fazer lição de casa? Pra quê jogar lixo no lixo? Pra quê escovar os dentes antes de dormir, se quando você olha pra trás os adultos estão todos atravessando no vermelho!?? Rsrsrs!

Ok, ok, a gente ri, mas é verdade que é uma coisa legal que a sociedade como um grupo se preocupe de não dar mau-exemplo para as crianças.

Aliás, já que o assunto é atravessar a rua, podemos aproveitar para falar mais sobre as regras de atravessar ruas alemãs. Você talvez tenha ouvido dizer que na Europa os motoristas sempre param na faixa de pedestres quando não tem semáforo e tem gente esperando para atravessar. Bom, sim, isso aqui é verdade. O que você não sabe é que, PLOT TWIST, quase não tem faixa de pedestre aqui!!!

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É que é o seguinte: tem duas maneiras diferentes de demarcar o espaço dos pedestres nos cruzamentos ou nos lugares onde pedestres atravessam. Uma é a faixa de pedestre normal como a gente conhece. A outra, é marcar o espaço com duas linhas tracejadas, uma de cada lado.

Assim:

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Essa travessia com as linhas tracejadas é que é a mais comum, amplamente mais comum. Faixas de pedestre, as clássicas, são tão raras que eu fiquei uma meia hora procurando no google maps nas fotos aéreas da cidade até encontrar alguma. Só encontrei depois que lembrei de uma em particular por onde eu passei algumas vezes durante as aulas práticas pra tirar a carta de motorista.

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A regra para atravessar a rua é assim: se tiver semáforo, claro, atravessa-se quando está verde para o pedestre (e sempre que tem farol para carro, tem para pedestre também). Quando não tem semáforo, o que também é bem comum, a preferência é do carro quando ele está seguindo em frente, e do pedestre quando o carro está fazendo uma conversão. Então, se você está esperando para atravessar uma rua sem farol, vc tem que esperar os carros que já estão naquela rua que vc quer atravessar passarem, mas atravessa antes dos carros que estejam virando ou esperando para virar naquela rua. Isso é assim inclusive quando tem farol, o verde do pedestre é no mesmo tempo que o verde da rua que está na mesma direção, e os carros que estão entrando na rua perpendicular têm que primeiro esperar pedestres ou bicicletas que estejam indo em frente passarem. Assim:

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Isso vale sempre, seja com ou sem essas linhas tracejadas. Elas estão lá mais para delimitar o espaço que para definir qualquer regra.

Então pra que serve a faixa de pedestre? A faixa de pedestre é justamente a exceção à regra. Quando ela aparece, é para fazer os carros que estão seguindo em frente pararem em qualquer momento em que haja pedestres querendo atravessar.

É tão uma exceção que quando aparece uma faixa de pedestre tem um monte de placa em volta pra certificar que até o motorista mais desatento vai perceber a faixa lá e parar para eventuais pedestres.

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Então quando que tem faixa de pedestre? Normalmente são em locais onde tem um fluxo grande de pessoas atravessando e um tráfego razoável de carros seguindo em frente. Normalmente nem são cruzamentos, pq cruzamentos você resolveria com um semáforo. É meio no meio da quadra, mesmo, o exemplo mais típico é logo na frente da saída de uma escola, como é o caso da faixa na foto acima.

Então nas raras ocasiões em que aparece uma faixa de pedestre, a preferência é sempre 100% do pedestre. Aí os carros param, sim. E os carros que estão virando numa rua também sempre param para os pedestres que estejam atravessando, até pq é uma regra bem clara e definida. Bom, tá, às vezes eles vêem que você está chegando pra atravessar e viram rapidinho pra não ter que parar, mas nunca de uma maneira realmente arriscada.

Acho que isso é tudo o que tem a ser dito sobre atravessar ruas alemãs!


(Publicado em 06 de Julho de 2017)

Casamento Igualitário na Alemanha!

Hoje é um dia histórico para a Alemanha! Às 9 da manhã o parlamento aprovou, com 63% dos votos, o casamento igualitário no país!

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Ontem eu escrevi um post contando um pouco sobre como essa história se desenrolou e como que essa votação entrou em pauta. Nesse post eu vou falar sobre como foi o debate no parlamento, e a votação, um pouco mais sobre como tudo se desenrolou e o que acontece em seguida. Dá uma lida no outro post antes de ler esse, que tem coisas que eu expliquei lá que serão importantes pra entender esse post.

Bom, como vimos nos últimos capítulos, a votação de hoje era quase certamente ganha: os três partidos que há anos defendem a legalização do casamento entre pessoas de mesmo sexo são, juntos, maioria no parlamento. Além do que esperava-se que parte dos parlamentares da CDU/CSU também votasse a favor, apesar do partido ser contra. Foi isso mesmo o que aconteceu. Dos 630 assentos no Bundestag, apenas 7 parlamentares não compareceram à sessão de hoje. Dos 623 que votaram, 393 (63%) votou a favor, 226 (36%) votou contra, e 4 se abstiveram. Dos partidos SPD, Die Grünen e Die Linke, todos os parlamentares votaram a favor. Da CDU/CSU, que tem 309 assentos, votaram a favor (25%), 225 votaram contra (73%), 4 se abstiveram e 5 não compareceram (pra entender quem é quem no parlamento alemão, dá uma lida nesse post aqui).

Antes da votação, 12 parlamentares fizeram curtos discursos para debater o assunto. Eles abordaram diversas questões para argumentar contra e a favor. Resumindo o assunto todo, dá pra dizer que basicamente os que eram contra falaram que um casamento entre pessoas do mesmo sexo não forma família, e por isso não pode ser chamado de casamento (!) e os que falaram a favor, além de contra-argumentar esse ponto, falaram principalmente sobre como a discriminação de gays e lésbicas não tem lugar na sociedade alemã moderna, e como a mudança da lei já está mais que atrasada. Outro ponto importante da discussão dos dois lados foi argumentar se essa mudança na lei exige ou não uma mudança na constituição alemã.

Essa parte é a mais incompreensível para mim. Porque o curioso é que a constituição alemã não diz nada sobre o casamento ser entre um homem e uma mulher. A frase referente ao casamento, que é o parágrafo 1 do artigo 6, diz “Ehe und Familie stehen unter dem besonderen Schutze der staatlichen Ordnung.”, ou: “O matrimônio ea família gozam da proteção especial do Estado.”. Só. Não diz nada sobre gênero nem sexo de ninguém. Mas por algum motivo que é muito misterioso pra mim (provavelmente pq é o único jeito pelo que os que são contra acham que têm alguma chance de impedir a lei de se tornar realidade), alguns argumentam que isso obviamente significava entre matrimônio entre homem e mulher e que se for pra incluir casais homossexuais, a constituição tem que dizer isso especificamente. Bom, pelo que li, parece que a maioria dos experts na constituição discordam da necessidade de qualquer mudança. Mas se algum partido fizer uma reclamação para a corte constituicional dizendo que a lei é anti-constituicional, e supondo que a corte concordasse, então 2/3 do parlamento teria que votar a favor da mudança na constituição, pra possibilitar o casamento igualitário. E, como vimos, foram 63% dos parlamentares que votaram a favor, então não seria suficiente. Mas mesmo que algum partido leve isso para a corte constituicional, parece – pelo que li – pouco provável que a corte ache mesmo que a lei é anti-constitucional.

Como esse é um assunto muito importante para mim, fiz uma coisa que eu nunca tinha feito: assisti o debate inteiro do Bundestag! (Fiquei particularmente orgulhosa de ter entendido tudo, também, rsrsrs!) E vou aproveitar então para dar uma resumida no que falou cada parlamentar. Se você não se interessar nesses pormenores, tudo bem, porque você não é obrigado a ler! Ufa! Vou deixar essa parte numa cor diferente pra caso você queria pular pro final do post. Também vou linkar pra vídeo oficial de cada discurso, caso interesse a alguém ouvir por conta própria.

Thomas Oppermann | SPD
O primeiro discurso do dia. Oppermann abordou essa questão da mudança na constituição, dizendo que a seu ver não é necessário, e apontou que não é coerente dizer que essa votação foi muito repentina e não houve tempo suficiente para a discussão do assunto, porque o assunto já vem sendo discutido no parlamento desde 2005. Além disso, Oppermann apontou que talvez a decisão de votar a pauta e o resultado que estava por vir possivelmente não seriam bons para a coalizão entre SPD e CDU, mas são bons para o povo. Ele também reforçou que é importante respeitar aqueles que pensam diferente, mas que é também importante que esses tenham em mente que com a aprovação do casamento igualitário ninguém vai perder nada, mas muitas pessoas vão ganhar algo.

Dietmar Bartsch | Die Linke
Bartsch focou o seu curto discurso em apontar que, se a votação de hoje for uma vitória, isso não significa que a discriminação contra pessoas homossexuais tenha sido erradicada, e que a luta contra o preconceito na sociedade e no dia-a-dia tem que continuar.

Volker Kauder | CDU
Kauder foi o primeiro a vir à tribuna falar contra o casamento igualitário. Mas, curiosamente, não deu absolutamente nenhum argumento para isso. Basicamente o discurso se limitou a dizer que para ele assinar embaixo de qualquer coisa defendendo o casamento igualitário não seria possível de acordo com a sua consciência, mas que ele aceitava que era possível pensar diferente, mesmo como cristão. Ele acentuou que quem hoje votaria contra não o estava fazendo porque estavam escolhendo discriminar casais homossexuais, e que essa discriminação já tinha sido claramente negada (com a possibilidade de união civil entre casais do mesmo sexo, e todos os direitos que eles foram ganhando nos últimos anos).

Katrin Göring-Eckardt | Die Grüne
Göring-Eckardt começou seu discurso dizendo que hoje seria um dia para a história. Ela reforçou o argumento de que essa decisão não tira nenhum direito de ninguém, apenas concede os mesmos direitos àqueles que ainda não os tem, e fez uma breve recapitulação histórica da luta por reconhecimento e direitos da comunidade LGBT, e cada avanço conseguido nos últimos anos, mencionando alguns nomes de pessoas que tiveram parte importante nessa luta, incluindo um colega parlamentar, Volker Beck (que mais tarde fez seu próprio discurso).

Eva Högl | SPD
A parlamentar Högl comemorou a oportunidade de, finalmente, votar esse tema. Ela apontou que seu partido vem lutando por isso há muitos anos. Ela apontou que a convivência entre duas pessoas têm hoje diversos formatos, há pessoas que vivem com ou sem filhos, etc. Ela lembrou ainda que, a última pesquisa de opinião apontou que 82% da população alemã é a favor do casamento igualitário, e que isso não pode ser ignorado.  Ela reforçou que é, sim, discriminação não reconhecer a relação entre duas pessoas apenas devido ao seu gênero. E por fim, disse que não é uma questão de consciência ou sentimento, é uma questão de dignidade humana.

Harald Petzold | Die Linke
Petzold lembrou àqueles que são contra, que o resultado positivo em nada mudará a vida de quem é contra o casamento igualitário, e que para eles amanhã o mundo vai girar exatamente como hoje, mas com algumas pessoas muito mais felizes, sem que ninguém tenha perdido nada pra isso.

Erika Steinbach | Sem partido
Steinbach, a única parlamentar que não faz parte de nenhum partido, curiosamente pareceu ser a única realmente incomodada de como a decisão pela votação ocorreu. Ela argumentou que não houve nenhum tempo para discutir o assunto, e que isso era uma vergonha sem tamanho, mas que não era culpa da SPD mas da chanceler, por ter aberto essa porta e possibilitado essa votação.

Jan-Marco Luczak | CDU
Luczak foi o único parlamentar da CDU a fazer um discurso a favor da lei pelo casamento igualitário. Ele começou dizendo que nem todo mundo que iria votar contra era homofóbico e que respeitava quem pensava diferente dele, e que esse tópico precisa de um tempo para ser aceito. Ele lembrou que na Espanha e na França, quando o casamento entre pessoas de mesmo sexo foi legalizado, houveram grandes manifestações a favor, o que certamente não será o caso na Alemanha (dado que 82% da população apoia), e que é a hora para essa mudança. Ele colocou que, para ele, o casamento é o reconhecimento do amor entre duas pessoas, em bons e maus momentos, o compromisso dessas duas pessoas de responsabilizar pelo bem estar uma da outra, e que esses valores são fundamentalmente conservadores, e que ele não vê porque eles não se aplicariam a um casal só por causa de seu gênero. Ele declarou que era a favor do casamento igualitário não apesar de ser cristão e conservador, mas porque é cristão e conservador. Ele também abordou a questão da constituição, defendendo que não tem porque mudar a mesma, e que se originalmente o casamento mencionado na constituição foi imaginado como sendo entre homem e mulher, ele também tinha muitas outras diferenças no passado de como a sociedade o vê atualmente. Católicos não podiam casar com protestantes, homens podiam decidir se suas esposas eram autorizadas a trabalhar fora ou não, e todas essas coisas são ideias que não são mais aceitas na sociedade alemã moderna. E que a existência de casais homossexuais é uma realidade da sociedade alemã, que a Lebenspartnerschaft (a união civil permitida aos casais homossexuais) não é vista na sociedade como algo diferente do casamento, e que está na hora da política e do governo atualizarem as leis para respeitar a realidade e o desejo da sociedade moderna.

Volker Beck | Die Grüne
Volker Beck é um dos principais defensores do casamento igualitário na política, tendo lutado pelo mesmo há muitos anos. O discurso dele foi curto e direto ao assunto, reforçando que não aceitar o casamento entre casais homossexuais não é nada além de discriminação pura e simples, e que a época da aceitação e da tolerância tem que começar hoje.

Johannes Kahrs | SPD
Kahrs fez o discurso mais polêmico do dia. Após agradecer àqueles que nas últimas décadas lutaram pelos direitos da comunidade LGBT, Kahrs criticou fortemente a CDU por ter repetidamente barrado essa discussão e impedido que essa votação acontecesse antes. Ele criticou direta e pessoalmente a chanceler Angela Merkel, dizendo que por anos ela barrou esse tema e assim apoiou a discriminação contra gays e lésbicas, e que as declarações da segunda feira foram puramente estratégicas. Ele terminou o seu discurso dizendo, bravo, “Frau Merkel, vielen Dank für nichts!“, “Sra. Merkel, muito obrigado por nada!”.

Gerda Hasselfeldt | CDU
Hasselfeldt defendeu que o relacionamento entre gays e lésbicas deve sim ser protegido e reconhecido, mas que isso já é feito com a união civil, que, segundo ela, não é nem melhor nem pior que um casamento, mas não é idêntica. Na visão dela, o casamento é a base da família, e a união a partir da qual crianças nascem, e que por isso é diferente de uma união homossexual.

Karl-Heinz Brunner | SPD
O último parlamentar a discursar sobre o assunto, Brunner iniciou citando a música “What a wonderful day”. Que belo dia, que bom esse sentimento de que uma discussão que durou tantos anos finalmente tenha um final feliz, que respeite a dignidade das pessoas. Ninguém perderá nenhum direito, frisou ele, mas nós todos enriqueceremos (em diversidade, tolerância, etc). Hoje é um dia feliz para a democracia, disse Brunner, e aconselhou seus colegas a votarem pelo fim da discriminação contra gays e lésbicas na Alemanha.

É isso! O que eu achei legal desses discursos, é que as pessoas que falaram contra não foram lá falar que homossexuais são doentes, ou sei lá o quê. Todos os que argumentaram contra disseram que não queriam discriminar, apenas achavam que era diferente um casamento entre um casal heterossexual de uma união entre um casal homossexual. Não duvido que muitos fulanos que votaram contra pensem essas coisas, mas o fato de ninguém sentir que tais ofensas têm espaço no parlamento alemão é uma coisa extramemente positiva.

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Eu achei engraçado que o único argumento efetivo que foi apresentado contra o casamento igualitário foi o fato de casais homossexuais não poderem ter filhos. Achei muito curioso porque afinal, o único direito que os casais homossexuais não tinham ainda era justamente o de adotar crianças. Quer dizer, é como dizer “vocês não podem ser uma família porque não podem ter filhos, e como vcs não são uma família, então não podem ter filhos.”? Ahm? Você impede o casal de adotar e aí diz que eles não podem se casar porque não podem ter filhos? (Isso pq não vou nem perder tempo mencionando o óbvio de que muitos casais heterossexuais também não podem ter, ou escolher não ter filhos).

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É talvez importante explicar que a decisão de hoje foi positiva pra todo mundo, politicamente. Eis a história (e pra entender isso você precisa, de verdade, ler antes o post anterior e o post sobre os diferentes partidos): nas últimas semanas, a SPD, o Die Grüne, o Die Linke, e a FDP tinham todos declarado que o casamento igualitário seria um ponto essencial para qualquer acordo de coalizão. A CDU, que se opunha, não vai sozinha conseguir maioria no parlamento nas eleições de setembro e sabe que vai ter que fazer coalizão com algum desses partidos para governar. Com a tendência geral dos países ocidentais de reconhecerem a união homossexual e a esmagadora maioria da população alemã ser a favor, tava óbvio que era só uma questão de tempo até esse avanço acontecer aqui também, e a CDU bem sabe disso. Só que no momento, mudar a posição do partido e aceitar o casamento igualitário seria muito arriscado, já que a CDU já vem perdendo votos. E se a CDU perder votos conservadores, quem ganha é a AfD (o partido de extrema-direita que cresceu de maneira preocupante nos últimos anos) e isso ninguém exceto a própria AfD quer. A CDU perder votos conservadores não é do interesse de partido nenhum, porque ninguém quer a AfD no parlamento. E por outro lado, é claro que a CDU também não quer perder votos dos eleitores que são economicamente conservadores mas socialmente liberais. A maneira como essa votação de desenrolou nos últimos dias foi muito estratégica pra todo mundo. A Angela Merkel abre uma porta alternativa pra SPD poder puxar essa votação sem antes ter que entrar em acordo com a CDU, sabendo que tem maioria pra ganhar, e a CDU sai da história positivamente pros dois tipos dos seus eleitores: os que são contra continuam seguros que o partido como um todo é contra, os que são a favor felizes que foi a Merkel quem possibilitou a votação e que nem todo mundo na CDU é contra. Tudo isso aconteceu nessa semana não foi por acaso: hoje foi a última sessão do parlamento antes do recesso, e na volta a discussão já serão as eleições de setembro. Então era o momento certo pra SPD forçar essa votação sem acordo com a CDU, porque a essa altura uma ruptura da coalizão não faria sentido nem diferença nenhuma, já que o mandato está quase no final. Sagaz, sagaz.

Pra terminar esse post quase infinito, algumas informações finais importantes. Pra começar, a partir de quando os casais de mesmo sexo poderão se casar na Alemanha? Primeiro o presidente tem que assinar a lei, e depois os cartórios têm 3 meses para se atualizar. Prevê-se que o mais cedo que um casamento entre pessoas de mesmo sexo poderá ser firmado é em 1˚ de Novembro de 2017.

E os casais que estão em Lebenspartnerschaft (União Civil) serão automaticamente casados? Pra entender o sentido dessa pergunta eu tenho que antes explicar que a Lebenspartnerschaft não é exatamente equivalente à União Civil no Brasil. No Brasil, União Civil é um meio termo entre ser casado e não ser, é meio que um casamento light. Aqui não tem isso, a Lebenspartnerschaft é só um formato de casamento com menos direitos específico para casais homossexuais. Então como casal heterossexual vc só tem a opção de casamento, mesmo. Daí a pergunta, agora que os casais homossexuais terão os mesmos direitos, aqueles que já firmaram uma Lebenspartnerschaft serão oficialmente casados? A resposta é não. Eles terão que comparecer ao Standesamt pessoalmente para requisitar a “conversão”. O que significa que quando a lei passar a valer, os cartórios terão bastaaaaaante trabalho!

É isso! Acho que falei realmente tudo que tinha pra ser dito! Vou deixar ainda uns links para algumas matérias que eu usei de fonte pras informações desse post, e que podem ser interessantes pra quem fala alemão e quer saber mais sobre o assunto.


Die ganz große Koalition für das Ja – resumo do assunto da ARD, incluindo algumas explicações e opiniões de especialistas sobre determinados pontos.

Frank Bräutigam, über verfassungsrechtliche Konsequenzen – O especialista Frank Bräutigam discute a questão da possibilidade de mudança da Constituição

Ehe für Alle: Was sich rechtlich jetzt ändert – O que muda com a decisão de hoje

Namentlichen Abstimmung – A lista com os nomes dos parlamentares que votaram a favor e contra o casamento igualitário

Lesbische Eltern – Familien zweiter Klasse? Um curto documentário sobre a dificuldade de casais de lésbicas em serem aceitas pelo Estado como duas mães de um filho.


(Publicado em 30 de Junho de 2017)

Casamento igualitário na Alemanha?

Uma coisa grande e inesperada aconteceu essa semana na Alemanha. O parlamento alemão decidiu votar amanhã, sexta feira dia 30 de Junho, a legalização do casamento de casais homossexuais na Alemanha.

Pois é, por incrível que lhe possa parecer, a Alemanha ainda está atrasada nesse sentido!

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O mapa acima mostra, em verde escuro, os países em que o casamento é permitido a quaisquer duas pessoas que queiram se casar, e, em verde claro, os países onde casais de mesmo sexo podem firmar uniões civis, mas não se casar. E em branco, os países em que casais de mesmo sexo não são reconhecidos pelo estado.

Para ser justa, a União Civil permitida aos casais de mesmo sexo na Alemanha (se chama Lebenspartnerschaft) é realmente muito próxima, em termos de direitos, de um casamento. Mas “quase tantos direitos quanto” não pode ser suficiente numa sociedade moderna que se orgulha em dizer que neste país todas as pessoas são iguais e têm os mesmos direitos. E o direito que casais de mesmo sexo não têm ainda na Alemanha também não é qualquer coisinha sem importância: é o direito de adotar, juntos, uma criança.

Hoje um casal homossexual não pode adotar uma criança aqui. Porém um dos dois pode adotar sozinho. Antes que você diga que isso é quase a mesma coisa, se só um dos dois adota significa que o outro não tem nenhum direito (nem dever) sobre a criança. Ou seja, se o pai ou mãe adotivo morre, o outro pai ou mãe não pode ficar com a criança. Se o casamento terminar em divórcio, a parte que não é pai/mãe adotivo não tem direito nenhum de custódia ou visita da criança adotada. E o pai ou mãe adotivo têm que arcar sozinho com os custos da criança, já que a outra parte não precisará pagar pensão. Isso sem nem falar de outras situações menores das responsabilidades mais burocráticas do dia-a-dia de um pai com seu filho que não poderiam ser divididos entre os dois. Adotar sozinho é uma opção que nem de longe substitui o direito de adoção pelo casal.

Curioso é como a decisão pela votação de amanhã se desenrolou. O reaparecimento dessa pauta no parlamento era, claro, só uma questão de tempo. Os países ocidentais vêm gradualmente legalizando o casamento igualitário nos últimos anos, começando em 2000 com a Holanda, e nessa ordem Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal, Islândia, Argentina, Dinamarca, Brasil, França, Inglaterra, País de Gales, Escócia, Luxemburgo, EUA, Irlanda, Colômbia e Finlândia, em março de 2017. Independente do resultado de amanhã, é só uma questão de tempo até a Alemanha entrar nesse barco. E os partidos que seguem linhas progressistas (leia esse post aqui pra saber quem é quem no parlamento alemão) já defendem há anos a legalização, que só não aconteceu ainda por oposição do partido do governo, conservador, a CDU.

A chanceler Angela Merkel (CDU) era abertamente contra a legalização do casamento igualitário até a segunda-feira passada, quando, em um debate em Berlim, a chanceler fez declarações que deram a entender que sua posição contrária ao direito de adoção por casais de mesmo sexo estaria mudando depois que ela conheceu um casal de lésbicas em Mecklenburg-Vorpommern, que há anos acolhe temporariamente (é um esquema de “adoção temporária” que não sei se existe no Brasil, basicamente um casal acolhe uma criança que tem casa mas precisa temporariamente ser tirado da guarda dos pais para se afastar de situações de abuso) crianças provenientes de famílias abusivas. Atualmente, o casal abriga 8 crianças em sua casa. De ser abertamente contra, Merkel se posicionou de maneira a defender que, numa eventual votação parlamentar, os parlamentares votem de acordo com sua consciência em vez de seguir a linha do partido.

Pode parecer (e de certa forma é) uma coisa pequena, mas essa declaração abriu o espaço para que os partidos conservadores não votassem de acordo com a posição do partido, e abriu espaço para a SPD, o Die Grüne (partido verde) e o Die Linke (partido de esquerda) – que são os partidos que apoiam a legalização, e, juntos, têm maioria no parlamento – conseguissem incluir a pauta na votação de sexta.

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O motivo pelo qual esses partidos que são a favor não conseguiram ainda colocar esse assunto em votação é que a CDU e a SPD estão em coalizão desde as últimas eleições. A CDU, tendo conseguido o maior número de assentos no parlamento, é o partido do governo, mas não tendo conseguido maioria tem que fazer coalizão com outros partidos para ter maioria. Um governo com coalizão entre SPD e CDU é a alternativa mais meio-termo possível, já que a SPD é o partido de centro-esquerda e a CDU, de centro-direita. Uma coalizão entre os dois resulta num governo de centro, mas significa que os dois têm que abrir mão de determinadas pautas para entrar em acordo. Portanto, apesar de os partidos a favor da legalização serem maioria, não era possível votar o assunto sem antes entrar em acordo com a CDU.

A decisão de votar essa pauta na sexta-feira foi, na verdade, uma decisão um tanto arriscada por parte da SPD, pois foi baseada apenas nas declarações da chanceler, e não num acordo com a CDU. O que significa que parte da CDU acusa a SPD de quebrar a coalizão, ao que a SPD contra-argumenta que, se o voto vai ser por consciência (a CDU, seguindo as declarações da chanceler, definiu que seus parlamentares poderão votar como desejam, e não necessariamente segundo a linha do partido), não é uma quebra da coalizão. Mesmo as declarações dessa semana de Merkel fazem parte do jogo político: Em setembro são as eleições para o parlamento, e é amplamente sabido que por volta de 82% da população alemã aprova o casamento igualitário.

E a grande pergunta que não quer calar: quais são as chances da lei passar?

Como comentei ali em cima, os três partidos que há vários anos defendem fortemente o casamento igualitário têm, juntos, maioria no parlamento. Entre parlamentares desses três partidos, é bem improvável que haja qualquer voto contra. E além disso espera-se que por volta de 1/3 dos parlamentares da CDU também votem a favor. Ou seja, as chances são boas de que amanhã a Alemanha finalmente se junte à lista de países onde casais homossexuais têm os mesmos direitos de casais heterossexuais. Mas o futuro é sempre imprevisível, então a comemoração vai ser só depois do resultado positivo!

E uma vez definido o resultado, vou editar esse post com as informações sobre a votação e o resultado. Por hora, ficamos na torcida!


Edit: Foi aprovado! Com 63% dos votos a favor, o parlamento alemão aprovou hoje de manhã o casamento entre pessoas de mesmo sexo! Um assunto que me é tão caro merece um post detalhado, então hoje mais tarde publicarei um post sobre como foi o debate no Bundestag, sobre a votação e resultado, e sobre os próximos passos!

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(Publicado em 29 de Junho de 2017)

Lembranças do Brasil para a Alemanha

Às vezes eu dou uma olhada nos termos de busca que trazem pessoas ao blog, para ter uma ideia de que temas interessam às pessoas. Um que volta e meia aparece, e que eu nunca abordei é esse: o que dar de presente para um alemão. Na verdade eu falei um pouco sobre isso, sim, nesse post. Mas foi uma coisa mais geral sobre presentes para alemães, e o que eu tenho percebido pelos termos de busca é que as pessoas querem saber, na verdade, o que dar de lembrança do Brasil para um alemão. Possivelmente pq virão para cá visitar alguém e querem saber o que trazer de presentinho, algo assim.

Daí esse post.

Minha primeira descoberta nesse sentido é de que é arriscado trazer vários doces brasileiros. A gente sempre pensa em dar doces, já que temos maravilhosos doces típicos no Brasil, mas quase sempre quando eu ou trago doces do Brasil ou faço algum doce típico brasileiro para os alemães, quase sempre eles acham muito doce. O último bolo de cenoura que eu fiz para os colegas do escritório eu coloquei um QUARTO da quantidade de açúcar indicada na receita, e mesmo assim eles acharam muito doce (porque a cobertura era com leite condensado). Eles disseram que gostaram, mas a verdade é que meu bolo durou bem mais do que o outro bolo que minha colega tinha feito para a mesma ocasião. Droga. No geral a reação é positiva mas sem entusiasmo. Um “Hmm, gostoso, gostei, sim!”, que não chega nem perto de um “NOSSA, QUE DELÍCIA!! Me ensina como faz, é bom demais!!!”.

Paçoquinha é um doce que parece funcionar. Eu ganhei recentemente 3 enormes caixas com 50 paçoquinhas cada. Deixei uma no escritório e outra dei pro meu marido levar pro escritório dele. As pessoas pareceram gostar das paçocas. Inicialmente olharam com hesitação, perguntaram se tinha que colocar em água ou como que comia… mas depois de experimentada, a caixa esvaziou bem rápido. Apesar de que dois dias depois uma colega saiu de férias e durante os dias em que ela não veio a caixa demorou bem mais para esvaziar. Então pode ser que ela que tenha comido todas as paçoquinhas e o resto dos colegas na verdade nem gostou tanto.

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Eu ainda acho que alguns doces, mesmo que eles não gostem muito, ainda vale a pena trazer de presentinho pq são bem típicos. Tipo um pote de um doce de leite bem legal, daqueles que você compra em Minas, sei lá. Acho que é um presente que seria apreciado mesmo que demore muito para ser totalmente comido.

No ano passado no meu aniversário eu fiz, também para os colegas do escritório, brigadeiros, cajuzinhos e beijinhos. Os brigadeiros eu levei quase metade de volta pra casa, os cajuzinhos sumiram rápido mas foi porque eu comi quase todos, mas os beijinhos pareceram apetecer ao gosto germânico com sucesso. Acho que foi a preferência unânime entre os colegas. Talvez o côco compense um pouco o excesso de açúcar? Não sei.

Mas é isso, doce é legal mas é arriscado.

Uma nota importante sobre importar comidas: há regras e proibição de importação de certos alimentos e produtos, especialmente produtos de origem animal. Eu não vou me aventurar a listar aqui as regras pq essas coisas mudam e se eu colocar alguma coisa aqui, certamente muitas pessoas vão usar essa informação como verdade absoluta sem checar as regras reais nas fontes confiáveis. Então fica apenas aqui o link para o site da alfândega alemã na página sobre regras referentes a importação de alimentos (em inglês). Veja lá se o que você está trazendo é permitido trazer, e se precisa ser declarado. E pelamordedeus nunca procure informações desse gênero em blogs pessoais, procure sempre na fonte original da informação, ou seja, no site da alfândega. 

Saindo um pouco das comidas, uma coisa que talvez seja legal seja umas canecas com motivos típicos. Por exemplo, eu ganhei esses dias de umas amigas brasileiras umas canecas com imagens de araras e tucanos. Super bonitinhas, acho que (além de terem sido um ótimo presente para mim) seriam também uma ótima lembrancinha do Brasil para alemães. Aqui eles tomam muito tanto café quanto chá e todos têm várias canecas diferentes em suas casas.

Uma outra idéia que pode funcionar bem é um espremedor de limão. A gente trouxe um para a minha sogra, da última vez que estivemos no Brasil, e ela gostou tanto que quando minha mãe veio visitar no mês passado, pediu para ela trazer mais dois, para ela dar de presente para outras pessoas! O que é curioso, pq eu já vi espremedor de limão aqui pra vender… mas são raros e a verdade é que quase ninguém conhece. Então sei lá, um espremedor de limão com alguns limões verdes e uma “receita” de caipirinha poderia ser uma boa idéia. E uma garrafa de cachaça.

Pode ser legal também, talvez, um CD com músicas brasileiras. Mas não um CD do Netinho, sei lá. Um CD com umas músicas MPB clássicas, ou músicas instrumentais bossa nova, uma coisa simpática pra colocar de fundo musical no jantar com a família, algo assim. Claro, se a pessoa que você for presentear for uma pessoa jovem, pode ser meio arriscado dar um CD, hoje em dia as pessoas nem tem mais aparelhos que tocam CD. Mas pessoas mais velhas (sei lá, 45 anos pra cima?) que não estão muito por dentro dos Spotifys e Youtubes e Apple Musics da vida ainda adoram dar CD. A gente ganhou 3 CDs de presente de casamento de amigos dos meus sogros que não foram convidados pro casamento mas queriam mandar uma lembrancinha. ¯\_(ツ)_/¯ E o meu sogro sempre bota CD na lista de presente de Natal dele… então pronto, acho que um CD com umas músicas simpáticas típicas pode cair bem com algum presenteado mais velho.

Ok, aqui termina a minha criatividade em presentes-genéricos-do-Brasil-para-pessoas alemãs-aleatórias. Se você que está lendo esse ilustre post tiver mais alguma ideia brilhante, ajude a completar essa lista nos comentários!


(Publicado em 27 de Junho de 2017)

Casando na Alemanha parte 3 – A comemoração

Há poucos meses atrás escrevi dois posts sobre casar na Alemanha, um sobre as leis e direitos para pessoas casadas, e outro sobre os documentos necessários e o processo burocrático para poder casar aqui. Mas ficou faltando um post falando sobre a comemoração em si, que eu deixei para escrever depois do meu próprio casamento.

Casamos faz duas semanas, então é boa hora pra escrever esse post!

No geral, a comemoração de casamento na Alemanha é bem similar ao que conhecemos no Brasil, ou de filmes americanos. As tradições básicas são iguais: vestido branco, aliança, “sim”, bolo de três andares, presentes, etc. Mas nos pormenores as diferenças são várias. Algumas eu descobri só durante o meu casamento, com amigos brasileiros comentando “puxa, no Brasil não se faz assim!” (e eu nem sabia!).

Faz sentido começar com a despedida de solteiro. Aqui na Alemanha (mais especificamente aqui na Alemanha oriental, porque segundo meu (!) marido (!), que é do oeste, lá não tem isso) a despedida de solteiro é um tanto diferente. É similar para o noivo e a noiva. Um grupo de uns 5/6 amigos leva o noivo, vestido com alguma fantasia bem ridícula (banana, super-homem, noivA, tem de tudo), pela cidade pra beber cerveja por aí (e acho que pedir dinheiro pra cerveja, tb). A noiva se junta com um grupo de umas 5/6 amigas, e com um véu de noiva e talvez uma saia branca, ou alguma outra peça de roupa pra ficar bem óbvio que ela é a noiva, saem por aí vendendo bobeiras pela rua (qualquer coisinha que vc não precise mais tipo escova de cabelo, sei lá, pra vender por 50 centavos) também para usar o dinheiro para beber.  Os amigos do noivo e as amigas da noiva normalmente usam todos camisetas iguais personalizadas com alguma frase boba qualquer, talvez uma foto da noiva ou do noivo, um nome engraçado que o grupo deu pra si mesmo ou algo do gênero.

Você reconhece esses grupos de longe pela cidade, e nos fins de semanas de meses mais quentes tem dias que andando pela cidade você encontra pelo menos uns 5 grupinhos de despedida de solteiro/a.

Eu jamais teria escrito sobre essa tradição antes do meu casamento, pra não correr o risco das amigas brasileiras terem a péssima ideia de reproduzir a tradição alemã comigo…. rsrsrsrs. O meu marido também não fez nada do tipo, já que os amigos dele também são a maioria do oeste onde essa tradição não existe. Ufa!

A outra tradição mais diferentona que tem aqui em casamentos é a de serrar um tronco juntos. O noivo e a noiva, após a cerimônia, serram juntos o tronco de árvore com uma serra de dois cabos. Assim:

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A ideia por trás é simbolizar que o casal consegue, trabalhando junto, lidar com tarefas difíceis ou qualquer bobeira do tipo.

Uma diferença talvez grande entre as comemorações de casamentos daqui e do Brasil, é que na Alemanha elas costumam ser um tanto menores. Os casamentos que fui no Brasil tinham 200 a 300 convidados. Aqui, os casamentos grandes costumam ter 60, 80 convidados. Festonas de 200 pessoas são raras. Nós tínhamos 60, e sempre que eu respondia esse número quando algum alemão me perguntava quantas pessoas teriam, a reação era “nossa, bastante!”. Não é raro casamentos em que os únicos convidados são a família, ou mesmo só a família direta (pais e irmãos) dos noivos. Por outro lado, aqui as comemorações são mais longas. Não é incomum o casamento ser um programa que ocupa quase o dia todo. Pra nós, por exemplo, foi assim: a cerimônia civil foi às 11h da manhã, depois da qual fomos andando até o jardim de casa, onde fizemos os votos e comemos o bolo. Os convidados foram indo embora a partir das 13h e lá pelas 15h30 foram os últimos. Então tivemos umas duas horinhas para dar uma descansada, e logo todos se encontraram novamente, às 18h, no restaurante onde foi o jantar de comemoração. Alguns foram embora logo após a sobremesa, lá pelas 22h30, e outros ficaram até cair de sono, lá pelas 2, 3 da manhã. Os dois outros casamentos em que eu fui aqui na Alemanha foram similares: a cerimônia seguida do bolo por volta da hora do almoço, e o jantar de comemoração a noite.

Algumas pequenas variações eu descobri no próprio casamento. Por exemplo, o bolo. Eu nunca tinha percebido ou não lembrava, mas parece que no Brasil os bolos de três andares são falsos, só o andar de cima é um bolo mesmo, para a foto, e o resto do bolo é distribuido já cortado entre os convidados. Aqui os bolos são, mesmo, de três andares. Eis uma foto do nosso bolo:

Outra diferença que é mais legal aqui é em relação aos presentes. No Brasil, normalmente se faz uma lista de presentes em umas duas ou três lojas grandes de artigos para a casa ou eletro-eletrônicos, e os convidados compram o presente online, que já é enviado diretamente por correio para os noivos. No próprio casamento não se recebe presentes. E ainda me contaram algo que eu não sabia – no Brasil em várias lojas a lista de presentes nem é “real”. Quer dizer, os convidados, ao comprarem os presentes da lista, não estão de fato dando aquele presente, mas sim o valor do mesmo em vale para os noivos usarem na loja.  Os noivos podem fazer uma lista com presentes de variados preços e no fim usar o dinheiro que os convidados gastaram com os presentes para comprar algo na loja que nenhum convidado sozinho teria dado, digamos uma televisão super cara, sei lá. Aqui os presentes são comprados pelos convidados e entregues por eles no próprio dia do casamento, sempre com um cartão com algo simpático escrito.

E legal também é que costuma ter algumas coisas “interativas”, como livro de visitas e coisas do tipo. No nosso, a minha cunhada pegou um daqueles jogos de jenga e colocou as peças numa mesa com uma plaquinha “assine uma peça” e aí todo mundo assinou uma peça, ou fez um desenhinho, e tal. Agora temos um jogo de jenga com as peças assinadas pelos nossos convidados!

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Uma coisa que é comum aqui, e que a gente conhece de filmes americanos mas não de casamentos no Brasil, são discursos dos convidados. Por aqui costuma ter um momento para que convidados façam discurso ou apresentem qualquer coisa que prepararam para os noivos. No casamento de uma tia do meu marido, por exemplo, a família preparou uma música pra todos cantarem juntos… foi um tanto bobo, mas bem típico, rsrsrs. No nosso, a família dele preparou um vídeo com vários dos nossos amigos e família respondendo perguntas sobre nós. Meu marido, que quase sempre em comemorações familiares toca algumas músicas no violão para o comemorado (aniversariante / casal recém-casado…) tocou algumas músicas para mim. Alguns amigos e familiares fizeram discursos curtos e bonitos.

A cerimônia em si – a civil – é bastante diferente. No Brasil, a sala do cartório onde se assina o papel é normalmente uma salinha sem graça num predinho sem graça típico de setor público. Às vezes o escrivão vem até o local da comemoração e faz a cerimônia com as assinaturas lá – não sei exatamente como funciona. Aqui não dá para pedir pro escrivão ou escrivã se deslocar para o seu local de comemoração, mas tem algumas opções de locais onde você pode realizar a cerimônia civil além da sede do cartório. Normalmente são locais bem bonitos como centros culturais, museus, coisas assim. Espaços públicos mas bem bonitos. E mesmo o prédio do cartório é super bonito, combina bem com casamentos. A cerimônia é curta, mas eles se esforçam para que seja bonita e possa substituir bem a religiosa para quem não quer a mesma. Então o escrivão ou escrivã fala algumas frases bonitas sobre casamento, etc, tem a opção de ter alguém tocando música em determinados momentos, a sala e a mesa são bem decoradas. Nós casamos num prédio que é uma espécie de centro cultural, onde tem dois salões onde acontecem concertos e coisas do gênero. Era uma sala super bonita, com um piano de cauda e espaço para 140 convidados. Contratamos uma amiga que é pianista profissional (e também minha professora de piano) para tocar para a gente durante a cerimônia, foi tudo bem bonito. Pra quem não quer fazer uma cerimônia religiosa, essas opções de locais para a civil dão ótimas alternativas para uma cerimônia memorável e também válida (porque tem sempre, claro, a opção de fazer no dia uma cerimônia só simbólica e assinar o papel no cartório noutro dia qualquer só entre vocês).

Você tem que pagar uma taxa extra se quiser escolher um desses locais que não são a sede do cartório, mas para vários deles o valor é bem baixo. No nosso caso, por exemplo, era apenas 50 euros. Os mais caros custam 500.

Os convidados brasileiros também acharam muito diferente não ter tido vários padrinhos e madrinhas. A gente chamou o melhor amigo dele e a minha melhor amiga para serem testemunhas no cartório e foram esses, por assim dizer, nossos padrinho e madrinha. No Brasil é comum ter vários padrinhos e madrinhas. Aqui, na verdade, pro cartório nem precisa de testemunha. Podem casar só os noivos completamente sozinhos. Ou então pode-se escolher dois amigos ou parentes para serem testemunhas, um para cada noivo. É mais uma coisa simbólica, já que não precisa, mas as testemunhas assinam o papel, também.

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Nosso padrinho assinando o papel

Uma coisa que eu acho curiosa é que, enquanto algumas tradições típicas são pouco importantes – te deixando com a impressão de que os alemães não são muito conservadores – outras parece quase impossível encontrar alguém que não siga – te deixando com a impressão contrária, de que os alemães são mais conservadores que nós. Por exemplo: vestido branco e aliança foram duas tradições bem típicas que a gente não quis seguir e quase ninguém na Alemanha achou estranho. O meu vestido era vermelho, e conheço aqui várias outras pessoas que casaram com alguma cor que não fosse o branco. Ninguém me questionou por não usar branco. Também preferimos não ter alianças, e embora depois do casamento alguns tenham perguntado sobre alianças, ninguém achou muito estranho não termos – e também conheço muitos casais casados aqui que não usam aliança. Esses dois pontos foram bem mais estranhos para os brasileiros. Por outro lado, os dois manterem seus nomes sem nenhuma mudança foi uma coisa quase impossível de explicar para os alemães, e totalmente normal para os brasileiros. Aqui é muuuuito raro a mulher não mudar de nome ao casar, até escrevi um post sobre isso. Toda vez que me perguntavam se eu ia mudar de nome, rolava todo um questionamento do porquê: “Mas é pq o nome dele é estranho?” “É que dá trabalho, né?”, “Sai caro, mudar todos os documentos, é por isso?”. Parece inconcebível, pros alemães, que uma mulher queira manter seu nome de nascimento simplesmente pq é seu nome e pronto. E quando é o homem que muda o nome, eles tratam como se fosse uma coisa suuuuper romântica, um enorme favor e sacrifício que ele está fazendo por ela… eu hein! Para os brasileiros, as duas coisas mais estranhas do nosso casamento foram o noivo ter visto o vestido antes do casamento (na verdade ele me ajudou a escolher, também), e nós termos entrado juntos para a cerimônia.

Acho que é isso! Agora que passou espero ter mais tempo para colocar o blog em dia!


(Publicado em 12 de Junho de 2017)

Abrindo e fechando portas

As vezes são as pequenas coisas e pequenos costumes bobos que são os mais difíceis de mudar. Você pode passar anos num local onde todo mundo faz determinada coisa do jeito A, tentar fazer as coisas do jeito A, mas acabar sem querer fazendo do jeito B toda vez.

Uma coisa desse tipo, pra mim, é abrir e fechar portas. Eu sei, eu sei, “Ué, tem jeitos diferentes de abrir e fechar portas?”, você está se perguntando.

Mais ou menos.

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Uma diferença a respeito das portas, aqui, é que quando vc fecha a porta, ela tranca sozinha. A fechadura funciona de um jeito que você só conseque abrir por dentro. Por fora precisa sempre de chave. Nem todas as portas de entrada são assim, mas a grande maioria é.

O que significa que você só usa a chave pra trancar a porta quando você está saindo e deixando a casa vazia. Se tiver alguém dentro, você só fecha desse jeito. E você nunca tranca a porta por dentro, nunca nunca. Até porque o objetivo desse sistema é segurança: você poder sair correndo de casa no caso de uma emergência ou incêndio, não precisar ficar procurando chave pra poder abrir a porta e correr pra fora. Faz todo sentido.

Mas isso resulta num costume diferente em relação a abrir e fechar portas que é: quem fecha ou abre a porta quando duas ou mais pessoas entram juntas num local.
Veja só: quando o normal é trancar a porta por dentro depois de entrar num local, ou trancar por fora com chave ao sair, normalmente a pessoa que abre a porta é a mesma que fecha. Porque se ela abriu a porta, ela está com a chave na mão. Então o normal, no Brasil (e a gente nem percebe que é assim) é a pessoa que está com a chave abrir a porta, sair, esperar fora enquanto as outras pessoas saem, e então trancar a porta depois de todo mundo. A pessoa que abriu a porta é a pessoa que fecha a porta, essa é a regra.
Só que aqui, quando você está saindo de um local, você nem precisa pegar a chave. E quando vc está entrando, você só precisa da chave na hora de abrir a porta. Logo, o normal é que quem for o último a passar pela porta é que fecha a mesma. Porque que a primeira pessoa que passou pela porta ficaria esperando pra fechar a mesma, se pra fechar é só puxar?

Isso parece uma bobeirinha, mas é um costume estranhamente enraizado nos pés. Quase sempre quando eu passo por uma porta por último eu deixo ela aberta subconscientemente achando que a pessoa que abriu é que vai fechar! E os alemães – não sabendo do por quê disso – sempre acham muito estranho quando eu faço isso. O meu namorado desde o começo brinca que eu nasci num metrô. Demorou pra eu enteder o que ele queria dizer… mas é porque no metrô as portas fecham automaticamente… rsrsrs

E embora eu saiba, conscientemente, que se for a última a passar pela porta devo fechá-la, várias vezes eu, distraída, esqueço. Essa semana mesmo isso ocorreu com colegas do escritório quando saímos pra almoçar. Eu passei e deixei a porta aberta – distraidamente – e minha colega ficou confusa achando que estávamos esperando mais alguém e por isso que eu tinha deixado a porta aberta!

Na hora fatídica de passar pela porta eu sempre me pego pensando “opa! quem que fecha a porta, mesmo? a pessoa que abriu ou a pessoa que saiu por último?”. Eu acho incrível como a gente fica tão profundamente acostumado com uma coisinha tão pequena e boba!

Mas embora eu ainda faça isso “errado” aqui, certamente quando for ao Brasil de novo vou fazer errado lá também…

É isso, então lembre-se sempre de fechar as portas pelas quais você for o último a passar pros alemães não te acharem estranho!

Nesse post aqui eu falei sobre chaves e sistemas de fechaduras usados na Alemanha. Tem uns bem high-tech.


(Publicado em 12 de Maio de 2017)

Evacuações e bombas

Ontem uma área de Hannover, onde moram aproximadamente 50.000 pessoas, foi completamente evacuada. O motivo: encontraram três bombas da segunda guerra mundial durante excavações de construção civil.

O interessante disso, na verdade, é que é algo que acontece com relativa freqüência. Mesmo. Volta e meia você vê notícias de alguma área (normalmente não tão grande quanto a área de hoje em Hannover) que tem que ser temporariamente evacuada por causa de alguma bomba antiga que ressurgiu em algum canteiro de obras.

Estima-se que 10% das bombas derrubadas pelos aliados na Alemanha durante a segunda guerra mundial não tenham explodido. Mais de 1.800 toneladas POR ANO em bombas e munição não explodida são descobertas na Alemanha. E não é só na Alemanha que isso ocorre, claro. Em outros países fortemente bombardeados durante a guerra também são encontradas bombas antigas volta e meia.

Quando uma bomba é encontrada, a área ao redor é evacuada ou imediatamente ou alguns dias depois. As pessoas têm que sair de suas casas por algumas horas até os ténicos em bombas irem lá e neutralizarem a bomba em questão. Nesse caso de ontem de Hannover – olha que curioso – eles planejaram e prepararam a evacuação por duas semanas! Quer dizer, a bomba foi encontrada e ficou lá duas semanas esperando o planejamento da evacuação (marcada, propositalmente, para um domingo). Como essas bombas da segunda guerra estão espalhadas pelo país há 70 anos, algumas (de determinados tipos) não representam um risco imediato. É mais no momento de remoção da mesma que ela pode explodir. Elas têm que ser neutralizadas e removidas com todo o cuidado, e durante esse processo que a área ao redor é evacuada. A evacuação é sempre mais complicada do que a gente imagina, porque tem pessoas com dificuldades motoras como idosos e deficientes a serem considerados, além de possíveis hospitais ou clínicas presentes na área de evacuação, de onde pacientes internados também têm que ser movidos, claro. Então ter um tempinho pra planejar convém!

E não é frescura. É raro que essas bombas de fato explodam, mas em Janeiro de 2014, por exemplo, uma bomba explodiu em uma obra em Euskirchen ao ser atingida por uma escavadeira. Um pedreiro morreu e dois ficaram gravemente feridos. Felizmente, quase sempre as bombas são identificadas com antecedência e removidas com os cuidados necessários. Desde o ano 2000, 11 técnicos de neutralização de bombas morreram na Alemanha durante o trabalho de neutralização. Três desses morreram numa única explosão de uma bomba que estavam tentando neutralizar em Göttigen, em 2010.

Um tipo de bomba particularmente perigoso dessa época são as bombas “químicas”, ou sei lá que nome bonito elas tinham. Essas bombas foram projetadas com o propósito específico de que explodissem dias depois de serem derrubadas num determinado local. Funcionavam da seguinte maneira: As bombas eram mantidas com o nariz pra cima, mas quando as bombas eram derrubadas dos aviões, elas caíam com o nariz pra baixo, claro. Quando o nariz virava para baixo, um dispositivo no “rabo” da bomba entrava em funcionamento e quebrava uma cápsula de vidro contendo acetona corrosiva. Ao atingir o chão, com o nariz pra baixo, a acetona escorria e começava a corroer, aos poucos, o corpo da bomba. Esse processo demorava horas ou até dias, e quando a última camada que protegia o explosivo fosse corroída, a bomba finalmente explodia, inesperadamente, dias após o bombardeamento. Se apesar da minha incapacidade de explicar o funcionamento de bombas pela minha falta de vocabulário bombístico você entendeu o processo, veja só o problema: várias dessas bombas atingiram o chão em locais onde o solo era muito mole, de maneira que elas infiltraram o solo e viraram de cabeça pra cima (já que elas caem de cabeça pra baixo) dentro da terra. Então a acetona não corroeu as camadas de proteção do explosivo. Mas, em 70 anos, essas camadas vão sendo corroídas ou vão se desintegrando com o tempo e a qualquer momento essas bombas podem explodir, desavisadas. Fiz um desenhinho pra ilustrar:

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Uma cidade particularmente afetada é Oranienburg, onde muitas dessas bombas ainda continuam escondidas debaixo da terra. Entre 1996 e 2007, o governo do estado de Brandenburgo gastou 45 milhões de euros para localizar e neutralizar essas bombas em Oranienburg, mais que em qualquer outra cidade alemã.

Mas voltando ao caso de ontem em Hannover, felizmente, as três bombas foram neutralizadas e removidas com sucesso, e no final do dia as pessoas já puderam voltar para suas casas.

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Bomba encontrada em Koblenz em 2011. Foto de Holger Weinandt – Wikipedia, CC BY-SA 3.0

Aqui tem um artigo muito completo e explicativo do Smithsonian sobre as bombas não explodidas da segunda guerra mundial. Foi desse artigo que eu tirei os dados do post que não linkam para outros artigos.

Então, se você vier à Alemanha, lembre-se de tomar cuidado com bombas de 70 anos de idade!


(Publicado em 8 de Maio de 2017)